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domingo, 23 de outubro de 2016

IBGE mapeia a origem de 49 produtos e serviços certificados

http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=3283

O IBGE disponibiliza hoje (20/10/2016) a versão digital do Mapa das Indicações Geográficas do Brasil, fruto de uma parceria com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O mapa traz informações sobre os chamados Selos de Indicação Geográfica (IG), localizando as regiões de origem de 49 produtos e serviços nacionais certificados por Indicação de Procedência ou Denominação de Origem. Elaborado na escala 1:5.000.000 (onde 1 cm = 50 km), o mapa digital está disponível aqui.
Os vinhos e espumantes do Vale dos Vinhedos (RS), o camarão da Costa Negra (CE) e as rendas de Divina Pastora (SE) e do Cariri (PB) são alguns exemplos de produtos brasileiros com Indicações Geográficas consagradas, assim como as cachaças de Paraty (RJ), Salinas (MG) e Abaíra (BA), o artesanato em estanho de São João Del-Rei (MG), as opalas e joias artesanais de Pedro II (PI), o mel do Pantanal (MT/MS) e de Ortigueira (PR), a própolis vermelha dos manguezais de Alagoas e as panelas de barro de Goiabeiras (ES), entre outros.
Ao todo, o Mapa das Indicações Geográficas identifica 49 áreas certificadas. Distribuídas por todas as regiões geográficas brasileiras, elas foram definidas pelas próprias associações, sindicatos e cooperativas de produtores locais e estão certificadas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O Selo de Indicação Geográfica do INPI é regulamentado pela Lei da Propriedade Intelectual n.º 9.279 e pode assumir dois modelos: Indicação de Procedência (IP) – artigo 177, e Denominação de Origem (DO) – artigo 178.
A Indicação Geográfica atesta a origem e as condições especiais de fabricação dos produtos certificados, permitindo que os consumidores tenham informações confiáveis sobre a qualidade e a autenticidade daquilo que estão adquirindo. Esse tipo de certificação também valoriza a cultura local e fomenta atividades turísticas.
A figura a seguir destaca a legenda do mapa, com a lista das áreas de Indicações Geográficas reconhecidas nacionalmente, suas datas de criação, a espécie de certificação e os produtos a elas associados.
ÁREAS DE INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS NACIONAIS RECONHECIDAS

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Seis obstáculos que os empresários enfrentam na hora de exportar



O Brasil é uma das dez maiores economias do mundo e possui uma indústria diversificada. Apesar disso, seu percentual de exportações em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é de apenas 12%, muito longe dos 30% da média dos demais países, segundo dados do Banco Mundial. No ano passado, o Brasil contribuiu com apenas 1,2% do volume global de exportações de bens, percentual que cai para 0,7% quando se olha para os manufaturados. Confira os fatores que impedem o País de ser maior no comércio internacional.

1. Custo do Transporte
Para empresas de todos os portes e de todas as regiões do País, o custo do transporte é o maior desafio às exportações. Este fator apareceu em primeiro lugar na pesquisa que entrevistou 847 exportadores, a frente da taxa de juros e do câmbio. Ficou claro que com a desvalorização cambial, problemas estruturais apareceram como obstáculos que prejudicam as exportações.
Exemplo: Empresa de cosméticos afirma que é 50% mais barato trazer alguns produtos da China do que movimentar a carga dentro do estado de São Paulo.

2. Encargos, Taxas e Tarifas nos Portos e Aeroportos
Encargos, taxas e tarifas cobradas por órgãos envolvidos no comércio exterior, terminais portuários e armadores se tornaram uma “tributação invisível” e são o segundo principal obstáculo às exportações. Existem mais de 30 diferentes encargos, taxas e tarifas ao longo das diversas etapas da atividade, do licenciamento de produtos ao escaneamento de contêineres, passando inclusive pelo uso dos sistemas eletrônicos do próprio governo, como o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex).
Exemplo: Exigência de escaneamento de contêineres pelas alfândegas, gerando tarifas adicionais cobradas pelos terminais portuários de R$200,00, em média, ao exportador.

3. Burocracia Alfandegária e Aduaneira
A burocracia nos órgãos envolvidos no comércio exterior impacta de forma significativa o processo de exportação. Para 61,8% dos exportadores, a Receita Federal do Brasil é o órgão que mais impacta negativamente o comércio exterior. Em muitos casos, a Receita não é responsável pela burocracia, mas como o procedimento ocorre dentro da alfândega, o exportador tem a percepção de que o órgão é o problema. Também foram citados de forma negativa o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (22,6%) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (18,6%).
Exemplo: Segundo o Doing Business de 2016, do Banco Mundial, o tempo médio e o custo para a obtenção, preparação e apresentação de documentos durante o desembaraço aduaneiro e procedimentos de inspeção em São Paulo é de 49 horas. A média de OCDE é de 15 horas.

4. Legislação complexa, pouco efetiva, dispersa e com múltiplas interpretações
A legislação brasileira de comércio exterior é antiga – muitas vezes anterior à Constituição Federal de 1988 –, dispersa em diversos instrumentos e inadequada para as exigências atuais do mercado. Na prática, essas características tornam as normas uma barreira significativa para as empresas que atuam no comércio exterior.
Exemplo: decreto-lei 37 de 1966, em vigor, usa como referência o extinto Cruzeiro. O artigo 128, inciso II, alínea B, por exemplo, diz: “de ofício, na própria decisão ou posteriormente em nôvo despacho, quando o litígio, de valor superior a Cr$ 500.000 (quinhentos mil cruzeiros), fôr decidido a favor da parte, total ou parcialmente”. O parágrafo único acrescenta: “No caso de restituição de tributo, o recurso será interposto para o Diretor do Departamento de Rendas Aduaneiras, impondo-se o de ofício quando o litígio fôr de valor superior a Cr$5.000.000 (cinco milhões de cruzeiros)”.

5. Acesso a mercados externos
Brasil possui uma tímida rede de acordos comerciais, com um potencial de acesso a mercados de apenas 8%. Esse número é bastante inferior ao de vizinhos como Chile (82,8%) e Peru (74,2%), por exemplo. Os acordos comerciais são essenciais para os bens, serviços e investimentos brasileiros entrarem em outros mercados sem ver sua competitividade minada por barreiras tarifárias e não-tarifárias.
Exemplo: Na pesquisa, quase um quarto das empresas demonstraram interesse em um acordo com os EUA e 6,1% demonstraram interesse em um acordo com a União Europeia. Também aparecem em destaque os países do Mercosul e da Aliança do Pacífico.

6. Tributação das Exportações
Documentos cmo gráficos e númerosOs entraves relacionados aos tributos nas exportações ficaram em sexto lugar, apesar da elevada carga tributária brasileira. Isso ocorreu pois os tributos incidem fortemente tanto em atividades relacionadas à exportação quanto em atividades econômicas destinadas ao mercado interno.
Exemplo: As empresas indicaram que a carga tributária nas exportações e a dificuldade de ressarcimento de créditos federais (IPI, PIS e COFINS) e estaduais (ICMS) impactam sua competitividade. Elas utilizam mecanismos de redução da carga tributária, principalmente ressarcimento de créditos e Reintegra. Vale notar, entretanto, que 13,2% das empresas não utiliza nenhum tipo de mecanismo desse tipo, perdendo sua competitividade.

Fonte: Agência CNI de Notícias

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Soluções para o comércio exterior brasileiro

Essa matéria com o Ronaldo Medina tem muita clareza e simplicidade. Esse é o caminho.

Sob o ponto de vista da micro e pequena empresa, ela não tem recursos para desenvolver-se no mercado externo. Tem que ter apoio como no resto do mundo. Esse é o papel do Estado, apoiar que tem potencial e seguir criando oportunidades.

Segue a entrevista do Guia Marítimo:

“Infelizmente, ainda respiramos ares de antigamente, quando o setor privado era visto como inimigo do Estado”, disse Ronaldo Medina, Subsecretário de Aduana e Relações Internacionais da Receita Federal, lembrando que estava “no lugar certo na hora certa” ao firmar um convênio entre a Receita e o Procomex, há dez anos, com o propósito de desenvolver o comércio exterior brasileiro. Fruto da união entre os setores público e privado, a parceria vem apresentando demandas pontuais e discutindo as soluções entre os órgãos envolvidos desde 2006.

Tendo a Modernização da Logística para o Comércio Exterior como tema central, o Instituto Procomex organizou um almoço na tarde de terça-feira (24), durante o qual Medina expôs um panorama da balança comercial brasileira nos últimos dez anos e enumerou os desafios para o comércio exterior, atualmente a grande aposta para o Brasil se desvencilhar da recessão. O evento aconteceu no Hotel Maksoud Plaza e foi apresentado pelo Coordenador Executivo do Procomex, John Mein, que enfatizou a colaboração do subsecretário para com o setor privado, ao afirmar: “sem ele, não existiríamos”.

Medina disse enxergar entre as missões da Receita Federal o apoio ao desenvolvimento. “Não somos responsáveis por todas as etapas, mas temos o nosso papel”, afirmou o subsecretário de aduana e relações internacionais do órgão federal.

Ao traçar um comparativo anual da balança comercial brasileira nos últimos 14 anos, Medina mostrou números do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) que demonstram o avanço das exportações brasileiras, com ápice em 2008, seguido pela queda influenciada pela crise financeira mundial, até atingir os piores momentos na virada de 2014 para 2015, quando a crise começou a se acirrar no país. “De lá para cá, nosso déficit se agravou bastante, reduzimos as exportações, fazendo com que o consumo interno passasse a absorver a produção, e hoje iniciamos uma trajetória de recuperação”, ilustrou, alertando, no entanto, que a retomada não será nada trivial: “mundo hoje é outro, tem mais escala, mais expertise. Estamos concorrendo em situação muito mais adversa – isso para falar só do lado econômico”.

Os dados mostram que, embora os números das exportações sejam festejados pela retomada do superávit, perdemos imensamente nos preços cobrados, além de termos diminuído significativamente a venda de bens duráveis, ao focar nos intermediários. “Nas exportações, os bens de consumo não duráveis estão estagnados há tempos e o crescimento de exportações se dá apenas nos bens intermediários. Os bens duráveis, então, estão uma tragédia. E essa é a maior perda: ficamos de fora do mercado dos bens de maior valor, perdemos os melhores empregos, as melhores pesquisas, o desenvolvimento do País”, lamenta.

Ronaldo Medina enfatizou a necessidade de fortalecer quatro pilares:

1_ Acesso a mercados: “Por meio do estabelecimento de acordos, é preciso ter acesso não só à inserção de produtos em outros mercados, mas também à obtenção de insumos a preços menores, com redução de tarifas aduaneiras. Não é um problema novo, e, infelizmente, a RF pode fazer pouco a respeito disso, mas é primordial. Além disso, é importante desenvolver ferramentas de financiamento e fomentar o investimento, estabelecer pontes, incentivar a promoção comercial. “Levamos 20 anos para aderir à Convenção de Istambul [que facilita os processos de Admissão Temporária], por exemplo. Precisamos melhorar a nossa participação nos acordos mundiais”.

2_ Plasticidade comercial: “Nosso cenário tributário é dramático, ao ponto de que, muitas vezes, é mais fácil ter um fornecedor fora do que dentro do País, com um sistema tributário que é avesso à integração produtiva. É necessário insistir na reforma tributária, fundamental para a sobrevivência. Pode ser que leve 5, 10 anos, mas é primordial pensar em um regime mais ágil e menos burocrático. Também é preciso integrar a nossa indústria à infraestrutura de transportes – portos, aeroportos –, trabalhar pela multimodalidade e pela carga expressa. A criação de Centros de Distribuição internacionais, por exemplo, viabilizaria a remessa de mercadorias antes mesmo de realizar a venda, ganhando mercado e agilidade por meio da criação de entrepostos”.

3_ Previsibilidade e segurança jurídica: “Padronizar procedimentos, melhorar o relacionamento com o governo e ter segurança sobre o modo como o governo se relaciona com o setor privado; ter a certeza de que uma norma vale para o Brasil todo. Além disso, gerar soluções consultivas com mais agilidade, estabelecer limite de tempo para conclusão de procedimentos, promover a integração entre o público e o privado”.

4_ Produtividade: “Melhorar a produtividade por meio de agilidade nos procedimentos, criação e integração de ferramentas eletrônicas. Nisso, o Procomex tem um papel fundamental junto à Receita Federal para desenvolver a interoperabilidade, ajudar na multimodalidade, na automação. Em pleno ano da Aduana Digital estabelecido pela ONU, precisamos de mais previsibilidade. Sempre se falou neste mercado que a carga não fala. Porém hoje, a tecnologia já permite que a carga fale: podemos escanear um container, uma embalagem, rastrear o percurso, as entregas. No e-commerce, é necessário também trabalhar a agilidade e viabilizar os métodos de devolução de mercadorias. Certas mercadorias, costumo dizer que ‘vendeu, casou’: é preciso oferecer suporte. Além disso, é necessário reduzir a intervenção e amentar a integração entre as aduanas internacionais, por meio do desenvolvimento do OEA (Operador Econômico Autorizado – Leia no Guia).

Além dos pontos levantados por Medina, durante a sessão de perguntas, Lourival Martins, da Martins Logística, enfatizou também a necessidade da conscientização da pequena e média empresa para a exportação, bem como a facilitação de linhas de crédito e soluções adequadas ao produtor de menor escala. Sem resposta para a demanda de Martins, Ronaldo Medina admitiu: “Todo mundo disfarça a ignorância e a falta de solução sobre as pequenas e médias empresas, porém é bastante necessário oferecer os meios e facilitar o mercado a essas empresas”.

A Portonave enfatizou a necessidade de mais integração entre Anvisa, MAPA e a Receita Federal, uma vez que as normas são aplicadas isoladamente, e sempre sujeitas a interpretação por parte dos agentes locais, algo que o próprio John Mein esclareceu estar trabalhando dentro do Procomex, com reuniões de integração previstas para o mês de junho.

Outro questionamento trazido à tona durante o almoço foram os gargalos gerados pela aplicação da Instrução Normativa 32, que determina a inspeção, com possível devolução, das cargas de importação apeadas com material de madeira. Embora o procedimento seja realizado pela Vigiagro e pelo Ministério da Agricultura, como a norma estabelece suspensão da liberação de cargas e, em alguns casos, exige devolução da carga e da embalagem para o local de origem, a Receita Federal tem atuação complementar no processo. A resposta aos questionamentos quanto ÌN 32 ficou para a reunião seguinte, também acompanhada pelo Guia Marítimo News.

Fonte: Guia Marítimo

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Prepare-se! As notícias sinalizam um ambiente de negócios com ameaças.

Brasil é anão no comércio externo, com apenas 1,19% do total mundial

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) fez um estudo sobre exportações e importações do país, e uma das conclusões mostra a fraqueza do mercado interno, ou seja, da economia brasileira em 2014. Como se sabe, a AEB prevê, este ano, exportações de US$ 228,2 bilhões, com queda de 5,8% sobre o ano passado; nas importações, que deverão chegar a US$ 227,6, a redução sobre 2013 será de 5%. O superávit será de módicos US$ 635 milhões, valor ínfimo comparado com o saldo comercial recorde de US$ 46,4 bilhões de 2006. FONTE : PORTOS E NAVIOS

Fluxo cambial neste mês, até dia 25, está negativo em US$ 4,680 bilhões

O saldo da entrada e saída de dólares do país, fluxo cambial, permanece negativo, neste mês. De acordo com dados parciais do Banco Central (BC), em julho, até a última sexta-feira (25), as saídas de dólares superaram as entradas em US$ 4,680 bilhões. FONTE: EXPORT NEWS

OBS.: JÁ VEM ACONTENCENDO HÁ ALGUM TEMPO (MAIS DE 2 ANOS).

China é destino de 51,4% das vendas de minério de ferro da Vale

A China aumentou sua representatividade nas vendas totais de minério da Vale no segundo trimestre deste ano e voltou a comprar metade do volume. A mineradora brasileira informou hoje que de 76,889 milhões de toneladas de minério de ferro vendidas no intervalo de abril e junho, a China ficou com 39,506 milhões de toneladas, ou 51,4% do total. No mesmo trimestre do ano passado esse percentual era de 43,8% e no primeiro trimestre do ano de 47%.
FONTE: ADUANEIRAS

COMÉRCIO EXTERIOR COM POUCOS ACORDOS COMERCIAIS E NENHUM EFETIVO E IMPORTANTE. PARCEIROS FRACOS OU PROBLEMÁTICOS. POSTURA DE PAÍS RICO QUE TEM MAIS A DAR DO QUE RECEBER. DINHEIRO SOBRANDO PARA INVESTIR FORA. SÃO FATOS! OPINIÕES PODEM SER DIVERSAS.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Oriente e Ocidente - John Naisbitt

John Naisbitt, autor do clássico Megatendências, forma, com Alvin Toffler, a dupla de futurólogos mais conhecida do planeta. Ambos são norte-americanos e hoje octogenários. “Vinte anos atrás, John Naisbitt publicou Megatendências com previsões altamente precisas”, escreveu o diário britânico Financial Times. “Ele não errou em nenhuma delas.” Depois de se formar na Universidade Cornell, Naisbitt fez carreira na IBM e na Kodak e foi assistente dos presidentes John Kennedy e Lyndon Johnson. Uma das mudanças que abordou em sua obra-prima, datada de 1982, foi a transição da sociedade industrial para a sociedade da informação – bem antes de tal transição tornar-se evidente.
“Quando escrevo sobre o futuro”, disse Naisbitt tempos atrás, “não posso ter medo de que minhas conclusões se revelem falsas mais à frente.” Sua missão não é estar certo, mas sim ordenar pensamentos dispersos sobre o que está para acontecer, de modo a formar tendências compreensíveis, às quais empresas e indivíduos possam tentar se antecipar. Hoje, aos 82 anos, este americano de Salt Lake City passa boa parte do tempo na China. Nesta entrevista a Época NEGÓCIOS, Naisbitt fala da transferência da liderança econômica do Ocidente para o Oriente e antecipa um planeta novamente dividido entre duas potências. “Não estamos nos tornando um mundo multipolar, mas um mundo bipolar, dominado pelos Estados Unidos e a China”, afirma.
1. O senhor se arriscaria a apontar algumas megatendências para os próximos dez ou 20 anos?_Uma das grandes tendências é tão óbvia que não há risco em apontá-la. É a mudança da liderança econômica do Ocidente para o Oriente. A grande questão é que consequências essa mudança terá. O Ocidente ainda está em negação. Temos de nos acostumar a um mundo no qual o Ocidente não pode mais fixar as regras. A líder do Oriente, a China, está abordando o progresso de um modo diferente. No Ocidente, o indivíduo era a força motriz e o ambiente em torno dele tinha de se adaptar. Na China, a liderança fixa uma meta estrategicamente – hoje, é fazer da China um país inovador – e cria o ambiente no qual indivíduos podem operar independentemente para atingir os objetivos comuns dele e do país. A China vai dar um salto em novas tecnologias tendo como ponto de partida um patamar igual ao do Ocidente. Multiplique o potencial dos Estados Unidos por três e você saberá o que esperar.
2. A ascensão de países emergentes, como o Brasil, sugere o surgimento de um mundo multipolar. É o que o senhor espera?_Os principais jogadores nas próximas décadas serão os Estados Unidos e a China. Ao contrário do que muitos esperam, não estamos nos tornando um mundo multipolar, mas um mundo bipolar, dominado pelos Estados Unidos e a China, porém com uma diferença. Diversamente do velho mundo bipolar da União Soviética no século passado, o espaço para engajamento será econômico em vez de ideológico.
3. Em seu livro O Líder do Futuro, o senhor fala de mentalidades apropriadas para líderes dispostos a antecipar tendências. É possível aprender a prever o futuro?_O maior obstáculo para antecipar o futuro é que tendemos a dar atenção a eventos que confirmam o que já acreditamos em vez de estar abertos ao que representa uma virada em relação ao que cremos. Somos flexíveis para nos adaptar a novas tecnologias, mas lentos em aprender a linguagem dos novos paradigmas. O conselho é simples: monitore, isole e avalie informações. Com o passar do tempo, você será capaz de ver as conexões e as direções para as quais elas estão apontando.
4. Pode explicar sua afirmação de que, na primeira metade deste século, teremos apenas inovações incrementais, em vez de avanços revolucionários?_Teremos progresso em muitas das novas tecnologias. Grandes passos, por exemplo, em nanotecnologia, robótica e certas tecnologias para baterias. Contudo, eles estão sendo dados sobre uma base que já foi pavimentada. Se pudermos dar um salto em tecnologia para baterias, que é a parte inovadora em carros elétricos, aviões elétricos, estocagem de energia e assim por diante, isto poderia mudar o mercado global de energia dramaticamente. Mas ainda seria uma mudança incremental.
5. O senhor já disse que tendências e ideias começam em pequenas cidades e comunidades locais, não em grandes centros urbanos. Por quê?_Você não pode planejar uma tendência. Nova York pode dar o tom, mas não compõe a música. A maioria daquilo que chamamos de tendências são modismos. Modismos vêm e vão. As tendências da era da agricultura para a era industrial e para a era da informação mudaram o trabalho e o ambiente econômico. A mudança do Ocidente para o Oriente vai mudar o ambiente político e econômico.
6. O senhor prevê outro modelo econômico dominante nas próximas décadas?_O capitalismo e a democracia ocidental provaram ser o modelo mais bem-sucedido. Isso se tornou bem visível quando muitos regimes comunistas entraram em colapso no fim do século passado. Mas hoje vemos um modelo que parece combinar comunismo e capitalismo de um modo novo e bem-sucedido. Isso é o que a China tem feito ao longo dos últimos 30 anos. Durante essas décadas, amplamente negligenciadas no Ocidente, o comunismo na China se reinventou constantemente. A China está hoje a caminho de aprofundar essa fusão de opostos – a eficiência da tomada de decisões da autocracia com a participação da democracia.
7. Qual será o papel das empresas nesse novo mundo?_Estamos na transição do Ocidente para o Oriente e, no meio desta mudança, considerações econômicas estão esmagando considerações políticas. A economia global é um quebra-cabeça formado por incontáveis corporações, não por países. As corporações estão cada vez mais operando através das fronteiras, e os negócios multinacionais são tão entrelaçados globalmente que é praticamente impossível isolar sua contribuição para o PIB de um único país. No futuro, é o mundo dos negócios, o domínio econômico no qual uma empresa atua, que fixará as regras, muito mais do que o país hospedando sua sede. Países que oferecerem o ambiente mais substancioso muito provavelmente irão atrair as companhias mais inventivas. E o planejamento estratégico e de longo prazo da China tem uma chance muito forte de ganhar do pensamento movido a eleições e pensamento de curto prazo do Ocidente.
8. O senhor descreve com frequência um mundo imagético, no qual o discurso falado e escrito perde relevância. Executivos da Geração X poderão se adaptar a ele? Ou este é um caso para a Geração Y?_Você pode achar vocabulário velho na Geração Y e vocabulário novo na comunidade de negócios estabelecida. No fim das contas, é abertura a condições cambiantes [o que faz a diferença]. Vídeos e fotos são rápidos, mas não é sempre a velocidade que é decisiva. É a mistura certa. Jornais e revistas não serão substituídos por YouTube e Facebook. Harry Potter revitalizou os hábitos de leitura de uma geração. Não fique preso a estereótipos.
9. Se fizermos uma linha do tempo do que podemos chamar de elites econômicas globais, iremos de fazendeiros a industriais, de banqueiros a milionários da tecnologia. O que vem em seguida?_A história das três últimas eras teve o fazendeiro, o operário e o balconista. Mas nesse último período, de TI e áreas afins, vamos ficar por um tempo. Ele está só começando. Muitos dos chamados negócios de TI são muito mais negócios sociais. Nesse aspecto, o pensamento intercultural vai ser decisivo. O Facebook, o YouTube e outras redes sociais estão construindo pontes entre pessoas com interesses comuns. A próxima ponte serão as redes interculturais.
10. Haverá organizações com sedes em grandes prédios, cheios de trabalhadores, no futuro? Ou vamos todos trabalhar em casa?_Lembra das previsões sobre a geladeira nos dizendo que precisamos de manteiga, ou aspiradores de pó saindo sozinhos da copa para fazer a limpeza semanal? Quantos desses refrigeradores e aspiradores você conhece? Quantas pessoas estão voando por aí com seus mini-helicópteros particulares e em que rodovias podemos ver carros sem motoristas? Tendemos a extrapolar, exagerar e superestimar a velocidade e a dimensão da mudança. O futuro vai mostrar que haverá as duas coisas: sedes em grandes escritórios e negócios estruturados em home offices. É a diversidade aumentando, não as escolhas diminuindo.

sábado, 20 de agosto de 2011

Informações econômicas agosto 2011

O crédito é uma das molas propulsoras da economia. Fazer divida é antecipar planos seja de consumo ou para comprar casa. O custo desta antecipação é a taxa de juro. O problema é quando o futuro maravilhoso não chega.


Dados


Crescimento do crédito no Brasil 61% - A. Latina 42%, Brics 35%, Países Euro 24%, EUA 4%
25% da renda dos brasileiros vai para pagamento dos empréstimos sendo 58% desse valor para quitar os juros dessa dívida.


O endividamento dos britânicos representa 171% do que eles ganham. Aqui o percentual é de 39%.


Consumo das famílias representa 63% do PIB


Volume de crédito triplicou em 5 anos


Taxas de juros para carro financiado no Brasil 30% - EUA 6% ao ano.


Taxas de juros do cartão de crédito no Brasil 8x maior do que no México, 12x do que na Austrália ou Reino Unido.


Razões para o carro brasileiro ser mais caro:
1. Falta de acordos comerciais para exportação impossibilitando a construção de fábricas de carros de      luxo (compactos são 65% do mercado)
2. Dólar valorizado
3. Custos de produção (40% maior do que no México, 60% maior do que na China)
4. Carga tributária
5. Encargos trabalhistas


Estima-se que em 2025, 25% das vendas de carros no país será de carros coreanos e chineses mesmo pagando 35% de alíquota de importação.


Política econômica atual:
1. Aumento de gastos públicos
2. Inflação
3. Câmbio vigiado

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Megavazamento de documentos deixa exposta a diplomacia dos EUA

Um gigantesco vazamento de documentos sigilosos americanos, que começaram a ser divulgados ontem, expôs práticas condenáveis de Washington, revelou segredos sobre aliados e deve prejudicar a relação dos EUA com vários países. O governo americano criticou o vazamento e diz que ele coloca em risco a vida de muitas pessoas.

Os documentos mostram, por exemplo, que o governo dos EUA ordenou que dirigentes da ONU fossem espionados. E confirmam que países árabes pressionam para que os EUA ataquem o Irã e destruam o seu programa nuclear.

O vazamento de cerca de 250 mil documentos sigilosos, em geral comunicações entre o Departamento de Estado e as embaixadas americanas pelo mundo, é inédito e possivelmente constitui o maior fiasco da história da diplomacia americana. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse tratar-se de um 11 de setembro diplomático, comparando o impacto do vazamento aos atentados terroristas de 2001.

Os documentos foram copiados por um militar americano, que os repassou à ONG Wikileaks, com sede na Suécia, que se dedica a divulgar documentos confidenciais. A ONG os repassou, para que fossem analisados, aos jornais "The New York Times" (EUA), "The Guardian" (Reino Unido), "Le Monde" (França) e "El País" (Espanha), e à revista alemã "Der Spiegel". Só esses veículos tiveram acesso ao conjunto dos documentos. E começaram a divulgá-los ontem.

No material revelado até agora, há poucas menções à América Latina. O caso mais curioso é a missão, atribuída à embaixada americana em Assunção, de reunir dados físicos sobre os candidatos nas últimas eleições presidenciais no país, em 2008. O despacho pede informações sobre quatro candidatos, incluindo o atual presidente Fernando Lugo. São solicitados dados biométricos, impressões digitais, scanner da íris e até amostra de DNA. Não se sabe se os dados foram obtidos e enviados.

Esse caso ilustra como o serviço diplomático americano costuma ser solicitado por Washington a extrapolar suas funções e atuar no limite da espionagem. O Departamento de Estado reagiu a essas revelações e afirmou: "Nossos diplomatas são só isso, diplomatas."

As principais citações ao Brasil, nos documento divulgados, dizem respeito à preocupação com possível atividade de terroristas islâmicos na região da Tríplice Fronteira, com Argentina e Paraguai. Segundo o Wikileaks, há cerca de 3 mil despachos originados do Brasil, sendo 1.947 de Brasília e 786 de São Paulo. O país também é citado pela relação com o venezuelano Hugo Chávez. Num despacho da França, um assessor do presidente Nicolas Sarkozy chama Chávez de louco e diz que nem o Brasil consegue mais apoiá-lo.

O "El País" promete divulgar hoje detalhes sobre as suspeitas que a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, desperta em Washington, "ao ponto de a secretária de Estado [Hillary Clinton] chegar a pedir informações sobre o estado de saúde mental" de Cristina.

Os despachos vazados, classificados como confidenciais e secretos (ainda não saiu nada "top secret") pelo governo americano, dizem respeito principalmente aos governos Bush e Obama. Mas há documentos anteriores.

O jornal espanhol diz que há menção a casos de corrupção em escala planetária, que poderiam envolver líderes estrangeiros.

Além disso, há avaliações de líderes estrangeiros que devem causar constrangimento aos EUA. A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, é descrita num despacho da embaixada americana em Berlim como sendo avessa ao risco e "raramente criativa". Já o premiê italiano, Silvio Berlusconi, é tratado como um testa-de-ferro do premiê russo, Vladimir Putin, e há menção a suas "festas selvagens". Berlusconi está acuado na Itália por vários escândalos envolvendo festas com garotas de programa.

Uma das práticas mais embaraçosas reveladas pelos documentos indicam a determinação de Hillary Clinton para que altos funcionários da ONU, inclusive o secretário-geral Ban Ki-moon, fossem espionados por diplomatas americanas nas Nações Unidas. Pede-se que sejam levantados dados pessoais desses funcionários, como número de plano de milhagem de companhias aéreas, modelo de aparelhos celulares e operadoras de telefonia que eles usam (o que sugere a possibilidade de grampo).

Outra revelação embaraçosa diz respeito à pressão de líderes árabes para que os EUA ataquem o Irã e destruam o programa nuclear iraniano, considerado pelos árabes como ameaça à segurança regional. Despachos citam a insistência do rei Adbullah, da Arábia Saudita, em "cortar a cabeça da serpente". Nenhum governo árabe admite isso em público, até porque isso significaria se alinhar com Israel.

Mas documentos revelam ainda a hesitação americana. O secretário de Defesa, Robert Gates, é citado ao dizer que um ataque ao Irã apenas atrasaria de um a três anos o programa nuclear iraniano.

Já a embaixada americana em Pequim relata ter obtido de um informante a confirmação de que a direção do Partido Comunista ordenou um ataque a computadores nos EUA, inclusive de órgãos do governo. O governo chinês nega.

Mais nos sites dos veículos citados e no site www.wikileaks.org

Valor Economico 29/11

sábado, 27 de novembro de 2010

Negócios no Brasil por estrangeiros

Gringos que fazem

Apesar das barreiras e da crise mundial, os estrangeiros estão voltando a abrir negócios no Brasil. O que eles vêm fazer num país hostil ao empreendedor?
ELISEU BARREIRA JUNIOR


VISÃO O empresário americano Chris Packard em frente a um de seus restaurantes, em Florianópolis. Ele reclama dos impostos, mas é otimista com a expansão
Se abrir um negócio é um exercício de masoquismo para os brasileiros, há um grupo ainda mais sofredor que os demais: os imigrantes que atravessam o mundo para vir ao Brasil tentar criar negócios. Além da burocracia e dos impostos, eles têm de lidar com as barreiras do idioma e da diferença de costumes. Só recentemente começou-se a quantificar os masoquistas de fora. De janeiro de 2006 a junho deste ano, o Ministério do Trabalho concedeu mais de 5 mil vistos permanentes a “investidores pessoa física”, termo governamental para os estrangeiros que trazem dinheiro para abrir empresas por aqui.

O número desses vistos cresceu 31% entre 2006 e 2008, para mais de 1.300 por ano. Caiu no auge da crise financeira global, mas voltou a subir agora. No primeiro semestre de 2010, os 431 imigrantes que conseguiram esse tipo de visto trouxeram um volume de investimento dois terços maior que o registrado no primeiro semestre do ano passado.

Para obter o direito de se estabelecer no país, o estrangeiro precisa comprovar investimentos, em moeda estrangei-ra, em valor igual ou superior a R$ 150 mil (até fevereiro de 2009, bastavam US$ 50 mil). A proposta de negócio preci-sa passar pelo Conselho Nacional de Imigração, que avalia o “interesse social” da nova empresa, caracterizado pela geração de emprego e renda no Brasil (dependendo do caso, pode-se aceitar investimento inferior a R$ 150 mil). Se-gundo o Ministério do Trabalho, investimentos de estrangeiros pessoa física abrem 2 mil postos de trabalho por ano para brasileiros.

O que buscam aqui essas pessoas? Parte delas relata motivações previsíveis, como a vontade de viver num lugar ensolarado, perto da praia. O francês Christian Noviot, de 44 anos, é desse time. Depois de trabalhar como designer gráfico em Paris, Barcelona, Cidade do México e São Paulo, decidiu ficar no Brasil. Vendeu boa parte dos bens que possuía e investiu cerca de R$ 500 mil na construção da Pousada Patacho, em Alagoas, inaugurada em 2007. Hoje, Noviot emprega sete pessoas. “Os primeiros anos são muito difíceis. Tem de passar pela baixa temporada, contar com a propaganda boca a boca”, diz. “Mas era um sonho, eu queria ter outro estilo de vida.”

Apesar de a maior parte do investimento desses imigrantes ir para empreitadas à beira-mar, em Estados como Ceará e Rio Grande do Norte, não fica só nisso. O americano Chris Packard, de 34 anos, trabalhava no banco de investimentos Merrill Lynch. Em fevereiro de 2008, decidiu largar o emprego de sete anos e abrir um negócio. Apesar da facilidade que teria nos Estados Unidos, achou que haveria maiores chances de sucesso no Brasil. Dez meses depois, inaugurava em Florianópolis um restaurante de comida japonesa. Logo investiu em uma rede de fast-food, o Cactus Mexican Food. Em cinco anos, ele pretende ter 50 restaurantes franqueados. O primeiro foi inaugurado em 2009 no Shopping Iguatemi, em São Paulo – 13 brasileiros trabalham ali.

Packard reclama da burocracia e dos impostos, mas não se arrepende de ter vindo para o Brasil. “Nos Estados Uni-dos, há muita concorrência, dezenas de restaurantes de comida mexicana poderosos, ao contrário do que acontece aqui.” Um de seus sócios, o americano David Allred, de 33 anos, já trabalhava com projetos imobiliários em Florianópolis. Veio ao Brasil em 2008 sondar o mercado. Estudou português durante seis meses, avaliou as perspectivas – e ficou de vez. “Não pretendo voltar. Como há um enorme potencial de crescimento da economia brasi-leira, posso crescer com ela.”

O alemão Thomas Rau, de 48 anos, pensava em viver no Brasil não por causa da economia, mas por ter se ca-sado com uma brasileira, a paulista Heike. Na Alemanha, ele tinha uma frota de veículos para transporte de executi-vos. No Brasil, enxergou espaço para outro tipo de negócio: uma cervejaria artesanal. O casal fez as malas e, em 2008, Rau abriu sua cervejaria em Cunha, São Paulo. “Aqui há muita cerveja industrializada, sem gosto, com ingredi-entes ruins”, afirma. “Não quero produzir grande quantidade, mas quero fazer a melhor cerveja do país.”

Imigrantes que abrem negócios
Iniciar uma pequena empresa no Brasil é um grande desafio. Apesar disso, há estrangeiros dispostos a arriscar

Estrangeiros casados com brasileiros enfrentam menos dificuldades para obter o visto permanente. É o caso do bri-tânico Ian Bannister, de 49 anos. Ele chegou a trabalhar na diplomacia britânica no Brasil nos anos 80 e casou-se com uma brasileira. Em 1998, o casal decidiu se instalar no Brasil. Trabalhou em um banco em Curitiba e, em 2007, abriu a consultoria de risco Critical Corporate Issues (CCI). A empresa, em São Paulo, presta serviços como orientar investi-dores estrangeiros que desejam colocar dinheiro no Brasil. “Esse setor é muito promissor, já que o país está crescen-do e desperta interesse”, diz Bannister.

Vários fatores podem explicar a renovada atenção dos estrangeiros, como a economia ter escapado rapidamente da crise mundial, a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016, a expansão do consumo, do crédito e da renda e a imaturidade de diversos setores, ainda com grande potencial de expansão. Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas, apresenta o último fator: “A vinda desses imigrantes reflete, em parte, a falta de empreendedorismo nacional”.

O número de imigrantes empreendedores poderia ser muito maior. Alfredo Behrens, professor de gestão intercultural na Fundação Instituto de Administração, da Universidade de São Paulo (USP), acha que o governo deveria facilitar a entrada desses estrangeiros. “Nossas fronteiras deveriam estar sempre abertas para o talento, a competência e a livre-iniciativa”, diz. Paulo Sérgio de Almeida, coordenador-geral de Imigração do Ministério do Trabalho, concorda com a im-portância dos imigrantes, mas não vê necessidade de facilitar mais essa entrada.

A experiência internacional mostra que facilitar a imigração de cérebros traz bons resultados. Nos Estados Unidos, havia pelo menos um imigrante entre os fundadores de 25% das empresas de tecnologia e engenharia abertas entre 1995 e 2005, de acordo com um levantamento da Universidade Duke e da Universidade da Califórnia. Essas companhias gera-ram cerca de 450 mil empregos em 2005. Márcio Nakane, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, destaca o ganho cultural que o Brasil pode ter. “A ação de empreender, ou seja, decidir ganhar dinheiro com um negócio próprio, é pouco comum em nossa sociedade”, diz. “Além disso, a maneira como esses estrangeiros administram pode nos ensinar muito.” Trata-se de deixar entrar ideias que ajudem a construir um Brasil dinâmico, que pensa e age global-mente.