Pesquisa revela que o consumidor brasileiro contemporâneo busca valores humanos e democráticos nos produtos e serviços
O consumidor brasileiro contemporâneo busca valores humanos nas marcas e tem a expectativa de construir um relacionamento pautado pela transparência, honestidade, confiança, integridade, respeito e ética. O que permeia e complementa esse anseio é a tendêndia brandtocracies (democraria das marcas). A expectativa é de que as marcas sejam principalmente amigáveis e honestas. Contudo, 62% dos entrevistados mostram insatisfação ao afirmar que falta honestidade às marcas. Essas são algumas das conclusões da pesquisa inédita Brand ID, desenvolvida pela Voltage e Bridge Research – agência produtora de insights aplicáveis ao negócio; e empresa de pesquisa de mercado com foco na prestação de serviços de inteligência na área de tecnologia, respectivamente.
Inspirada no estudo inglês Brand Personality, conduzido pelo portal britânico The Future Laboratory, Brand ID traz um mapeamento completo da percepção que os brasileiros têm das marcas nacionais e internacionais de diversos segmentos, conciliando pesquisas quantitativas e qualitativas. A pesquisa une dados sobre a percepção do consumidor contemporâneo – com um levantamento quantitativo – e projeta o futuro por meio de análises qualitativas de influenciadores e experts. Concluída em setembro de 2010, Brand ID contou com 1.200 entrevistas realizadas nas capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Brasília) com brasileiros das classes A (5%), B (38%) e C (57%) – sendo 60% de mulheres e 40% homens.
As questões formuladas foram elaboradas para coletar informações precisas sobre a personalidade das marcas, o comportamento do consumidor, avaliação das marcas em alguns segmentos (instituição financeira, varejo/lojas, tecnologia e telecom) e atitudes do consumidor. Um dos destaques da pesquisa brasileira está na detecção da tendência global brandtocracies (democracia das marcas), que representa uma nova forma de o consumidor se relacionar com marcas, produtos e serviços. “O consumidor brasileiro dá sinais inequívocos do desejo que nutre por uma relação pautada pela transparência, comunicação e colaboração. Cabe notar que embora a brandtocracies seja uma tendência mundial e com origem na própria evolução sociocultural do ser humano, no Brasil há particularidades em sua manifestação; características próprias que são determinantes para uma mudança nas relações de consumo do futuro”, analisa Paulo Al-Assal, diretor-geral da Voltage e um dos principais especialistas nacionais em tendências e insights aplicáveis ao negócio.
A pesquisa mostra diferenças interessantes entre o consumidor brasileiro e o europeu. Para a questão “o que mais inflencia na decisão de compra”, 51% dos entrevistados no Brasil responderam que é a “relação custo-benefício dos produtos”. Entre os europeus, esse percentual sobre para 81%, reflexo da crise financeira internacional. Vale destacar que não se trata de um custo alto ou baixo, mas do valor agregado à compra. O segundo quesito que mais influencia a decisão, para os brasileiros é que a marca seja “ética, ambiental e socialmente responsável”, característica priorizada por apenas 12% dos entrevistados na Europa. “Esse é um dado realmente surpreendente”, destaca Paulo Al-Assal.
A pesquisa revela que o consumidor brasileiro busca valores humanos nas marcas, da mesma forma como busca estreitar o relacionamento com as pessoas que fazem parte do cotidiano. Do total de entrevistados, 45% esperam que as marcas sejam “amigas”. E buscam informações sobre as marcas principalmente entre as pessoas em que mais confiam, “amigos e parentes”: 70%.
E que importância têm as marcas na vida diária das pessoas? Na resposta a essa pergunta, associada ao comportamento do consumidor em geral, 52% afirmaram: “sou neutro em relação às marcas. Elas não ajudam nem prejudicam minhas decisões no dia a dia”. “Isso significa que para mais da metade dos brasileiros as marcas não são tão importantes quanto achamos que são”, diz Paulo Al-Assal. Os temas que têm maior valor na vida diária das pessoas são a saúde da família e o bem-estar, as mudanças climáticas, emprego e valores da comunidade.
A pesquisa indica que, no período pós-crise em que vive o mundo hoje, muitos valores estão sendo repensados: 31% dos brasileiros se tornaram mais conscientes das coisas que realmente os fazem felizes – amigos, família, coisas simples; 28% ficaram mais tolerantes com as diferenças; e 24% se dizem mais abertos em relação às pessoas.
A pesquisa fez uma avaliação das marcas para saber quais são as mais admiradas e quais possuem mais valores humanos, em diversos segmentos: instituição financeira (bancos e cartões de crédito), varejo/lojas (eletrodomésticos, eletroeletrônicos, têxteis e supermercados) e tecnologia/telecom (telefonia fixa e móvel, banda larga e tevê por assinatura). O que mais se destacou nessa avaliação foi o fato de que 53% acreditam que os valores humanos não estão expressos nas marcas em geral.
Na média, o melhor desempenho é o das instituições financeiras – 17% dos entrevistados citaram que algumas marcas do setor possuem essa característica contra 14% (varejo/lojas) e 15% (tecnologia/telecom). “Os dados não indicam um bom desempenho dos bancos e empresas de cartões. Na verdade, apontam que têm porcentagens mais altas entre os setores analisados. Embora estejam no caminho certo quando comparados com os demais segmentos, ainda são índices muito baixos; inferiores às expectativas dos consumidores. Há muita oportunidade de melhoria e de humanização nesse atendimento ao cliente”, salienta o executivo, acrescentando que os brasileiros buscam nas marcas os mesmos valores que esperam encontrar nos parentes e pessoas queridas – cumplicidade, integridade e honestidade, entre outras.
“A lógica do novo consumidor é a mesma da internet; pede troca, abertura ao diálogo, participação na vida, follow constante; pede para manter a marca no centro, não no topo. Os investimentos devem se pautar pela conversação, colaboração, criatividade. As marcas devem conquistar o consumidor com conversas verdadeiras, relação próxima e transparente”, sugere o especialista.
Destaques da pesquisa qualitativa
A pesquisa qualitativa foi composta por 20 trend creators (grupo de jovens que integra o Voltage Ville e que têm alto poder influenciador e crítico) e disseminatiors (pessoas que disseminam as tendências, influenciando a massa); e com a consultoria de quatro experts internacionais – Gerd Leonhard, um dos principais “futuristas de mídia”, estudioso da era digital; David Smith, CEO da Global Future and Foresight (GFF); Jonathan MacDonald, cofundador da consultoria This Fluid World, diretor-geral da JMA e um dos maiores nomes do branding mundial; e Paulo Vischi, designer gráfico e estrategista de marcas, diretor de Estratégia de Marca e Branding da Be Consulting – Estratégia de Marca.
Segundo Paulo Al-Assal, a pesquisa qualitativa revelou inputs da nova relação do brasileiro com as marcas, associando-as a personagens da vida contemporânea. “Há citações definindo as marcas como agentes do mundo pós-moderno, como um sobrenome. Ao atribuir essa faceta humana às marcas, naturalmente o consumidor exige que elas se portem e se expressem como pessoas. Da mesma forma como somos atraídos por pessoas com lifestyle que nos seduz, indivíduos com personalidade marcante, valorizamos marcas que tenham esse conceito permeando a atuação”, afirma Al- Assal, acrescentando que pessoas e países – como a Lady Gaga e o Brasil – são apontados como marcas, o que mostra a percepção de múltiplas associações e uso para as marcas.
A forma de se comunicar foi apontada pelos participantes da pesquisa qualitativa como essencial na construção do relacionamento. As campanhas mais destacadas, por exemplo, são as que unem a exposição da marca a um objetivo maior como a conscientização do consumidor para questões socioambientais. A ideia que permeia essa valorização é que ao atuar como “agente do mundo”, as marcas passam a contribuir com a coletividade. Em contrapartida, as que ignoram a necessidade de manter a fluidez na relação – e a necessidade de pertencer e cuidar dos interesses coletivos – estão fora do cotidiano dos influenciadores, ou seja, dos consumidores com real capacidade de influenciar um número expressivo de pessoas.
No tocante à propaganda, há uma clara mensagem: deve evoluir, pois está sendo constantemente associada a algo vazio de significado, desprovido de transparência. Nesse contexto, as marcas passam a chamar a atenção por aspectos negativos, pois comunicam positivamente as promessas, mas não as cumprem. “Essas propagandas passam a habitar a esfera do discurso, o que gera um afastamento. Não por acaso, poucas pessoas dizem amar determinada marca. Ou seja, embora haja o desejo de manter uma relação humana com as marcas, o amor é destinado a amigos, familiares e pessoas próximas. Aliás, os disseminadores de tendências acreditam que as pessoas que declaram amor às marcas são desconectadas da realidade”, afirma o executivo.
Autêntica, amiga, preocupada com o design, sustentável e simples foram as palavras mais usadas para designar o que esperam das marcas – atributos que mostram que a aderência transcende o apelo comercial. Ao mesmo tempo que os “valores humanos” – transparência, honestidade, confiança, integridade, respeito, ética e responsabilidade social – são eleitos como aspiracionais, os influenciadores afirmam que compõem o básico do que uma marca deve ter. Na essência, o que determinará a conquista da fidelidade à marca é a capacidade de despertar paixão pela vida; ser viva e conectada; ser relevante. “As redes sociais inverteram o eixo de poder, transferindo-o para as mãos do receptor, ou seja, para as pessoas. O emissor, meios de comunicação da marca, perdeu o poder, pois conta com um interlocutor mais crítico, dono de mais informação e mais livre para decidir”, define Al-Assal, acrescentando que se trata da democracia permeada de humanização, dinamismo, sinceridade e rapidez – a tendência designada brandtocracies.
Diante desse novo consumidor, os insights para conquistá-los, na opinião de Paulo Al-Assal, são:
- as marcas precisam ser democráticas;
- as marcas precisam ter participação cultural e social na vida das pessoas;
- menos é cada vez mais, pois o que vale é a essência;
- fuga do consumismo tradicional para produtos mais democráticos;
- engajar parceiros, fornecedores, consumidores e concorrentes.
Destaques da pesquisa quantitativa
Influências e decisão de compra
Quando questionados sobre o que mais influenciará, em 2011, a decisão de compra de produto ou serviço, 51% dos entrevistados afirmaram que o custo-benefício será determinante, ou seja, os consumidores esperam desfrutar o máximo de benefícios com os recursos financeiros disponíveis. “Esse dado revela que não se trata de uma questão de custo alto ou baixo, mas do valor agregado à compra. Questões como durabilidade e qualidade permeiam a decisão de compra dessa parcela de brasileiros”, comenta Al-Assal. Desses consumidores preocupados em analisar se de fato a aquisição de itens da marca equivale ao custo, 48% são da classe C contra 56% e 54% das classes A e B, respectivamente. Na análise regional, a pesquisa revela que os consumidores de Porto Alegre, Brasília e São Paulo são os que mais valorizam o item: 75%, 65% e 57%, respectivamente. O comparativo dos resultados da Brand ID com a pesquisa inglesa mostra que o índice dos britânicos é superior ao nacional, 82%. “A leitura que fazemos é que a crise realmente afetou a relação que os ingleses têm com as marcas”.
A associação da marca com questões éticas e socioambientais é fator de decisão para 27% dos consumidores entrevistados, dos quais 28% pertencem à classe C contra 24% e 27% das classes A e B, respectivamente. Os cariocas são os que mais valorizam o comportamento socialmente responsável das marcas: 48% contra 22% dos paulistanos. O foco em ações comunitárias devem determinar a escolha de 16% dos entrevistados – sendo 16% (A), 12% (B) e 18% (C). Na análise desse item, destaque para os consumidores do Rio de Janeiro e Recife: 22% e 15%, respectivamente, que são influenciados por marcas associadas a iniciativas em prol da coletividade. Na pesquisa, há uma parcela de 7% que serão conquistados por marcas e serviços diferenciados e exclusivos; aqueles que melhor representam o “aspiracional” que permeia a compra. Ao contrário do que pode parecer, os consumidores que mais valorizam a exclusividade não são em maioria da classe A (4%), mas das classes B (7%) e C (7%). Recifenses (15%) e brasilienses (10%) são os mais influenciados pela questão.
O que os brasileiros esperam das marcas?
Cerca de 45% dos brasileiros entrevistados esperam que as marcas sejam amigas – em São Paulo e Recife esse índice sobe para 51%; no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília para 45%. Em segundo lugar na lista de expectativas desponta a economia propiciada, ou seja, 42% esperam que as marcas apresentem excelente custo-benefício; 30% e 28% apontam as palavras pessoais e autênticas, respectivamente. Esses índices são ainda mais altos entre a classe A: 51%, 44%, 34% e 43%, respectivamente. Os gaúchos são os que mais valorizam o atributo economia: 46% a associam com o que mais esperam das marcas, seguidos dos recifenses e paulistanos, ambos com 44%. Na sequência, as características mais citadas são sustentável (24%), personalizada (24%), simplicidade (22%), globalizada (20%), preocupada com design (17%) e local/regional (15%). A valorização de marcas regionais é mais significativa entre os consumidores de Porto Alegre (16%), São Paulo (15%) e Recife (15%); o índice é de 13% dos cariocas e brasilienses.
Segundo Paulo Al-Assal, os consumidores brasileiros estão insatisfeitos com as marcas e manifestaram essa contrariedade ao responder quais são os atributos que mais faltam às marcas. Na percepção dos entrevistados, as marcas carecem de honestidade (62%); transparência (39%); confiança (36%); integridade (30%); respeito (24%); igualdade/senso de justiça (20%); humildade (18%); decência (17%) e compaixão (8%). A honestidade é, na opinião de 66% da classe C e 65% da A, o que mais falta. A análise regional mostra que os consumidores de Recife (71%) e de São Paulo (64%) são os que mais se recentem. “O consumidor brasileiro quer construir uma nova relação com as marcas; uma relação que seja baseada em conceitos como falar a verdade. Quando cita a falta de honestidade, o consumidor deixa muito claro o seu grau de insatisfação”, detalha Al-Assal.
Associada à percepção de que falta honestidade às marcas, ao responder quem mais exerce influência quando não possui uma opinião formada, 83% apontaram amigos e parentes e 34% os colegas de trabalho – uma clara alusão à confiança. Nas demais respostas, 32% apontaram a tevê; 27% os sites de notícia; 21% jornais e revistas; 19% as rádios; 7% as redes sociais (MySpace, Facebook, Orkut e Twitter); e 4% blogs.
As principais fontes de informação sobre finanças pessoais são para 69% dos entrevistados os amigos; em segundo lugar, os colegas de trabalho, escola e faculdade (35%); e gerente do banco (30%). A internet é a preferida de 19%; programas de tevê por 16%; consultores financeiros por 16%; sites relacionados à finanças por 10% e jornais e revistas por 9%. Blogs de acompanhamento financeiro aparecem como a última opção – foram apontados apenas por 3% dos entrevistados. Os recifenses são os que mais citaram os amigos (88%); os brasilienses são os que mais consultam os blogs entre os entrevistados – 10% contra a média geral que é de 3%. Em Porto Alegre os blogs nem foram citados.
Inversão de valores
Construída a partir de afirmativas – e de possíveis adesão dos entrevistados a frases específicas – a pesquisa revela qual a “emoção” que as marcas despertam nos consumidores nacionais. A frase “as marcas desempenham um papel cada vez mais importante na minha vida” representa a percepção de 31% dos entrevistados (27% da classe A), sendo 55% de Brasília; 38% de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre (cada); e 25% de Recife. A afirmação “sou neutra em relação às marcas; elas não ajudam nem prejudicam minhas decisões cotidianas” representam o sentimento da maioria dos entrevistados, 52%; 18% são categóricos ao afirmar que “as marcas desempenham um papel cada vez menos importante”. Se as marcas não têm um papel de destaque no cotidiano, quais serão os temas que mais devem despertar o interesse do consumidor, em 2011? Na escala de interesses despontam saúde da família e bem-estar (31%), o tema de maior interesse para 57% dos gaúchos; mudanças climáticas/aquecimento global (14%); e emprego para a população (12%). Valores da comunidade e ética na política têm a preferência de 12% e 8%, respectivamente.
No ranking dos temas de devem interessar menos, a vida das celebridades ocupa a primeira posição na opinião de 38%, seguida de ética na política (19%) e valores da comunidade (12%). “Esse resultado mostra que os brasileiros estão revendo valores e questionando as futilidades”, afirma o executivo.
Hábitos de consumo & crise econômica mundial
Como a crise mundial afetou a percepção e os hábitos de compra do brasileiro? Para responder à pergunta, Brand ID apresentou uma série de afirmações e solicitou aos entrevistados que apontassem com quais mais se identificavam.
“Eu me tornei mais consciente das coisas que realmente me fazem feliz (amigos, família e coisas simples da vida)”: 31% dos entrevistados se identificam com a afirmativa, sendo 25%, 34% e 30% das classes A, B e C, respectivamente. Os consumidores de São Paulo são os que mais passaram a valorizar a família (35%), seguidos de Brasília (34%).
“Eu me tornei mais tolerante com as diferenças”: 28%, sendo que os maiores índices são os dos cariocas (29%) e paulistanos (25%).
“Eu me tornei menos receoso e mais aberto em relação às pessoas”: 24%, sendo 28%, 25% e 23% das classes A, B e C, respectivamente.
Segundo Paulo Al-Assal, as respostas reforçam a tendência de rever valores. “Podemos observar que 31% dos entrevistados se tornaram mais conscientes dos vetores de felicidade pessoal; 28% ficaram mais tolerantes com as diferenças e 24% mais abertos em relação às pessoas. Nota-se que se a percepção e os valores mudaram, certamente a forma de se relacionar com o consumo sofrerá alterações”, defende o especialista em tendências.
O que preocupa o brasileiro?
Segurança e estabilidade são as palavras que melhor definem o que tira o sono dos brasileiros. Manter o emprego preocupa 59% na média geral; entre a classe C esse índice sobe para 64%. A segurança dos filhos preocupa 46% dos entrevistados, sobretudo os da classe A (53%); permanecer saudável (42%) e o sustento pós-aposentadoria preocupam 42% e 27%, respectivamente.
Brasileiros & percepção das marcas
Questionados sobre o que a marca preferida oferece de melhor, os consumidores enumeraram, em primeiro lugar no ranking, os atributos: excelente custo-benefício (44%); bons valores socioambientais (12%); variedade de produtos (11%); serviço amigável (9%); e serviço de pós-venda adequado (4%). A análise regional desse ranking, aponta que os consumidores de Recife (54%); São Paulo (53%); Brasília (49%); Porto Alegre (42%); e Rio de Janeiro (21%) valorizam prioritariamente o custo-benefício oferecido pela marca de preferência. Em segundo lugar no ranking, o grupo de atributos que se destaca é: variedade de produtos (15%); serviço amigável (13%); custo-benefício (13%); bons valores socioambientais (9%); e serviço de pós-venda adequado (8%). Na terceira posição, variedade de produtos (10%); bons valores socioambientais (9%); custo-benefício (8%); senso de tradição da marca (8%); e serviço de pós-venda adequado.
Quais são as principais fontes de informação aprofundadas sobre a marca? Para 70% dos entrevistados, os amigos e parentes são as principais fontes; para 38% a tevê e o rádio. Os entrevistados das classes A e C – 71% e 70%, respectivamente – são os mais influenciados pela opinião de amigos e parentes; os recifenses (88%), cariocas (70%) e paulistanos (70%) são os que mais valorizam a opinião do ciclo de parentes e amigos. Na sequência, os instrumentos de informação são jornais, revistas e meios de comunicação impressos (27%); sites de busca (25%); colegas de trabalho (18%); propaganda/publicidade (14%); sites de comparação de preços (8%); blogs especializados (6%); órgãos/profissionais do setor (6%); e torpedos (3%).
Entre as características que o consumidor brasileiro mais associa às marcas estão os atributos cara (19%), útil (19%) e acessível (19%), sendo que as classes A e B – 20% de cada – citam a palavra cara como a mais representativa. Entre os atributos que menos associa às marcas, destacam-se cara (19%); enganosa (15%); arrogante (7%); individualista/egoista (7%); útil (5%); e acessível (6%).
Quais são os sonhos dos brasileiros?
Conquistar a casa própria permanece no topo da lista de desejos do brasileiro (43%), especialmente entre a classe C (48%), seguido da classe B (37%). Os demais sonhos são “ser alguém na vida” (17%); “ser mais espiritual” (9%); “desistir de tudo e viver a boa vida no campo” (8%) – entre os britânicos esse índice é de 30% –; “testar meus limites pessoais” (8%); “escolher um caminho diferente” (7%); e “trocar de parceiro” (2%). Ao questionar sobre quais são os produtos e tecnologias necessárias para viver confortavelmente, 72% dos entrevistados apontaram as tevês de tela plana, LCD, plasma e LED como principal item associado ao conforto, sendo 76% (classe A), 72% (classes B e C, cada uma). O aparelho celular é apontado por 67%; tevê por assinatura por 61%; telefone fixo por 57%; notebook por 56%; internet (banda larga e sem fio) por 55%; home theater por 40%; MP3 player por 34%; videogame (Xbox, Wii, Playstation 3) por 33%; e aparelho celular com conexão 3G por 28%.
Fonte: Sebrae
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Dicas de produtividade
The Art of the Cahier
Dec 03, 2010 -
Bill Gates paid $30.8 million for a notebook of Leonardo Da Vinci's containing some seventy pages of his thoughts and ideas on gravity, refraction and biology.
In his book Management Challenges for the 21st Century, Peter Drucker suggests journaling one's performance over time as powerful tool for improving effectiveness.
Julia Cameron suggested the technique of writing "morning pages" in her book The Artist's Way.
When I began working with Toyota in the late 1990s, I was immediately struck by the fact that every Japanese executive I met carried an A6 sized notebook and seemed to write everything down in it. I picked up the habit.
It seems like a low-res, low-tech, old school method, but if you want to boost your creative output and idea quotient, there's probably no better technique on the planet than learning the art of the cahier (French for notebook).
There are two steps.
Step 1: Get a Notebook. It seems obvious, I know. But this step is critical. You have to find the perfect notebook! And there are so many choices... too many, in fact. Sure, you can do the typical Moleskine approach, and there are a lot of good options there. Fieldnotes has some fun little products. But for me, neither of these have worked that well.
I'm particular about size, the binding (for writeability), and what's on the page. I don't like ruled pages... too limiting. I don't like blank pages because I want some structural guidelines. I don't like grids because the lines and boxes are too small and close together.
Up until this week, I had been using the Muji Chronotebook (see picture), a little $5 item that actually worked as way for me to ideate and schedule, and jot ideas and thoughts down chronologically, but in a clockwise rather than liner or vertical way. Nonlinear thinking is important when it comes to creative ideas.
Then I found the new Dot Grid Cahier, offered by Behance at a bargain price of two for $7. It fits my every need unlike anything else I've tried. It's a little larger (4x6) than the Muji, but here's what I absolutely love: the dot grid. It's a perfect blend of two Zen aesthetic ideals, fukinsei (beautiful imperfection) and yugen (subtlety, suggestion).
If I need lines, I can make them. If I need a grid or graph sheet, I've got one. And since the dots are screened back, I've still a blank page if I need one. The subtle constraints of the dots is pure genius, IMHO. And there are two additional benefits: one professional, one personal.
On the professional side, the Dot Grid Cahier plays well with Behance's Action Method, which offers a separate Action Cahier. (I wrote about the Action Method here.) The two play well together. I very much like having my ideas separate from their execution. Why? Because there are two distincts thinking modes involved. Ideation is divergent thinking. Action is convergent thinking. Simple as that. Not every idea should make it to the Action Cahier.
On the personal side, my daughter and I love to play the classic "Dots" game, especially in restaurants while we wait to be served. You know, you put down a grid of dots, take turns connecting them, scoring a point for each completed square. The Dot Grid Cahier is made for this game, and who can argue that creativity and children are inseparable?
So that's step one.
Step two: Get started. This too is actually harder than it sounds. Where to begin? A lot of people recommend mindmapping as the place to start. But in the Creativity and Innovation course I teach, I have my MBA students start slow and ease into it... get to know the space, get in the habit of creating a routine around getting in touch your thoughts.
So, I have them spend the first week doing a free-form, open-riff activity. I instruct them to designate a time and place devoted to daily solitude, setting aside at least 15 minutes per day to begin with. (But don’t be limited either way -- if you only have five minutes, use it. If you’re on a roll, don’t stop.)
The activity is to simply react in words and images to a series of wise quotes relating to creativity, paired with a focusing question. It's not a linear writing exercise, which is why a non-linear notebook helps! Here they are, one per day for seven days:
1. "True life is lived when tiny changes occur."--Leo Tolstoy. What tiny change for the better can you make today?
2. "Living is a form of not being sure, not knowing what next or how. The moment you know how, you begin to die a little. The artist never entirely knows. We guess. We may be wrong, but we take leap after leap in the dark."--Agnes de Mille. What small leap could you risk taking?
3. "Shoot for the moon. Even if you miss it, you will land among the stars."--Les Brown. What would you do if you were twice as bold?
4. "We are traditionally rather proud of ourselves for having slipped creative work in there between the domestic chores and obligations. I’m not sure we deserve such big A-plusses for that."--Toni Morrison. When, what and where is your creativity a priority instead of an afterthought?
5. "Saying no can be the ultimate self-care."--Claudia Black. What new boundary can you set to protect yourself, your time, and your creativity?
6. "Do not fear mistakes. There are none."--Miles Davis. What would you do if you didn’t have to do it perfectly?
7. "Eliminate something superfluous from your life. Break a habit. Do something that makes you feel insecure."--Piero Ferrucci. What habits, routines and practices do you suspect might be getting in the way of higher creativity and performance?
Try it. My bet is you'll like it. It's a great habit to pick up.
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Dec 03, 2010 -
Bill Gates paid $30.8 million for a notebook of Leonardo Da Vinci's containing some seventy pages of his thoughts and ideas on gravity, refraction and biology.
In his book Management Challenges for the 21st Century, Peter Drucker suggests journaling one's performance over time as powerful tool for improving effectiveness.
Julia Cameron suggested the technique of writing "morning pages" in her book The Artist's Way.
When I began working with Toyota in the late 1990s, I was immediately struck by the fact that every Japanese executive I met carried an A6 sized notebook and seemed to write everything down in it. I picked up the habit.
It seems like a low-res, low-tech, old school method, but if you want to boost your creative output and idea quotient, there's probably no better technique on the planet than learning the art of the cahier (French for notebook).
There are two steps.
Step 1: Get a Notebook. It seems obvious, I know. But this step is critical. You have to find the perfect notebook! And there are so many choices... too many, in fact. Sure, you can do the typical Moleskine approach, and there are a lot of good options there. Fieldnotes has some fun little products. But for me, neither of these have worked that well.
I'm particular about size, the binding (for writeability), and what's on the page. I don't like ruled pages... too limiting. I don't like blank pages because I want some structural guidelines. I don't like grids because the lines and boxes are too small and close together.
Up until this week, I had been using the Muji Chronotebook (see picture), a little $5 item that actually worked as way for me to ideate and schedule, and jot ideas and thoughts down chronologically, but in a clockwise rather than liner or vertical way. Nonlinear thinking is important when it comes to creative ideas.
Then I found the new Dot Grid Cahier, offered by Behance at a bargain price of two for $7. It fits my every need unlike anything else I've tried. It's a little larger (4x6) than the Muji, but here's what I absolutely love: the dot grid. It's a perfect blend of two Zen aesthetic ideals, fukinsei (beautiful imperfection) and yugen (subtlety, suggestion).
If I need lines, I can make them. If I need a grid or graph sheet, I've got one. And since the dots are screened back, I've still a blank page if I need one. The subtle constraints of the dots is pure genius, IMHO. And there are two additional benefits: one professional, one personal.
On the professional side, the Dot Grid Cahier plays well with Behance's Action Method, which offers a separate Action Cahier. (I wrote about the Action Method here.) The two play well together. I very much like having my ideas separate from their execution. Why? Because there are two distincts thinking modes involved. Ideation is divergent thinking. Action is convergent thinking. Simple as that. Not every idea should make it to the Action Cahier.
On the personal side, my daughter and I love to play the classic "Dots" game, especially in restaurants while we wait to be served. You know, you put down a grid of dots, take turns connecting them, scoring a point for each completed square. The Dot Grid Cahier is made for this game, and who can argue that creativity and children are inseparable?
So that's step one.
Step two: Get started. This too is actually harder than it sounds. Where to begin? A lot of people recommend mindmapping as the place to start. But in the Creativity and Innovation course I teach, I have my MBA students start slow and ease into it... get to know the space, get in the habit of creating a routine around getting in touch your thoughts.
So, I have them spend the first week doing a free-form, open-riff activity. I instruct them to designate a time and place devoted to daily solitude, setting aside at least 15 minutes per day to begin with. (But don’t be limited either way -- if you only have five minutes, use it. If you’re on a roll, don’t stop.)
The activity is to simply react in words and images to a series of wise quotes relating to creativity, paired with a focusing question. It's not a linear writing exercise, which is why a non-linear notebook helps! Here they are, one per day for seven days:
1. "True life is lived when tiny changes occur."--Leo Tolstoy. What tiny change for the better can you make today?
2. "Living is a form of not being sure, not knowing what next or how. The moment you know how, you begin to die a little. The artist never entirely knows. We guess. We may be wrong, but we take leap after leap in the dark."--Agnes de Mille. What small leap could you risk taking?
3. "Shoot for the moon. Even if you miss it, you will land among the stars."--Les Brown. What would you do if you were twice as bold?
4. "We are traditionally rather proud of ourselves for having slipped creative work in there between the domestic chores and obligations. I’m not sure we deserve such big A-plusses for that."--Toni Morrison. When, what and where is your creativity a priority instead of an afterthought?
5. "Saying no can be the ultimate self-care."--Claudia Black. What new boundary can you set to protect yourself, your time, and your creativity?
6. "Do not fear mistakes. There are none."--Miles Davis. What would you do if you didn’t have to do it perfectly?
7. "Eliminate something superfluous from your life. Break a habit. Do something that makes you feel insecure."--Piero Ferrucci. What habits, routines and practices do you suspect might be getting in the way of higher creativity and performance?
Try it. My bet is you'll like it. It's a great habit to pick up.
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Germany’s midsized companies have a lot to teach the world
Nov 25th 2010 | from PRINT EDITION
MANAGEMENT gurus are constantly scouring the world for the next big idea. Thirty years ago they fixated on Japan. Today it is India. The more restless are already moving on to Peruvian or Zulu management. Yet in all this intellectual globe-trotting the gurus have sorely neglected the secrets of one of the world’s great economies. Germany is the world’s largest goods exporter after China despite high labour costs and a strongish euro. It is also stuffed full of durable companies that have survived hyperinflation and two world wars. Faber-Castell, a giant among pencilmakers, boasts that Bismarck was a customer.
Thankfully, a couple of management thinkers have defied the boycott on Germany. On November 18th Bernd Venohr, of the Berlin School of Economics and Law, gave a fascinating talk on the “secret recipe” of the country’s Mittelstand at the second annual Peter Drucker Forum in Vienna. Last year Hermann Simon, of Simon-Kucher & Partners, a consultancy, published an even more gripping sequel to his 1996 book on “Hidden Champions”. Put the two together and you get a good idea of the management theory at the heart of Germany’s success.
Although the term Mittelstand is sometimes applied to quite small, parochial firms, the most interesting ones are rather bigger and more outward-looking. Most shun the limelight: 90% of them operate in the business-to-business market and 70% are based in the countryside. They are run by anonymous company men, not hip youngsters in T-shirts and flip-flops.
They focus on market niches, typically in staid-sounding areas such as mechanical engineering rather than sexy ones like software. Dorma makes doors and all things door-related. Tente specialises in castors for hospital beds. Rational makes ovens for professional kitchens. This strategy helps them avoid head-to-head competition with global giants (“Don’t dance where the elephants play” is a favourite Mittelstand slogan). It has also helped them excel at what they do.
Globalisation has been a godsend to these companies: they have spent the past 30 years of liberalisation working quietly but relentlessly to turn their domination of German market niches into domination of global ones. They have gobbled up opportunities in eastern Europe and Russia. They have provided China’s “factory to the world” with its machine-tools.
The Mittelstand dominates the global market in an astonishing range of areas: printing presses (Koenig & Bauer), licence plates (Utsch), snuff (Pöschl), shaving brushes (Mühle), flycatchers (Aeroxon), industrial chains (RUD) and high-pressure cleaners (Kärcher). Kärcher’s dominance of the high-pressure market is so complete that in 2005 Nicolas Sarkozy caused a scandal, after a spate of riots, by calling for a crime-ridden banlieue to be cleaned out “au Kärcher”.
How durable is the Mittelstand model? Sceptics worry that it will eventually become the victim of globalisation: emerging-world companies will learn to produce their own clever machines at a fraction of the cost. They also worry that Mittelstand companies are too conservative. American start-ups can become global giants in a generation (Wal-Mart, now the world’s biggest retailer, was not even listed on the stock exchange until 1972). German companies are content to remain relatively small.
The first criticism is overstated. Mittelständler have not only focused on sophisticated niches that are hard to enter. They have thrown their energies into building up ever more powerful defences. They constantly innovate to stay ahead of potential rivals. They are relentless about customer service. Their salespeople are passionate about their products, however prosaic, and dogged in their determination to open up new markets. Mr Simon’s “hidden champions”, mostly German Mittelstand firms, typically have subsidiaries in 24 foreign countries, offering service and advice. Many get the bulk of their revenues from service rather than products. Hako, which makes cleaning equipment, generates only 20% of its revenue from sales of its machines.
The second criticism has more substance. Germany has a poor record at generating start-ups or at quickly turning smallish firms into giants. Mittelstand firms are finding it increasingly difficult to persuade the world’s best and brightest to make their careers in rural backwaters. But for all that, the record of the Mittelstand over the past three decades has been a history of global conquest rather than missed opportunities. Koenig & Bauer, for example, gets 95% of its revenue from outside Germany.
German lessons
So the Mittelstand is likely to keep powering Germany’s export machine for years to come. But does it have any lessons for the rest of the world? Mr Simon says that although 80% of the world’s medium-sized market leaders are based in Germany and Scandinavia, successful Mittelstand-style companies can be found everywhere from the United States (particularly the Midwest) to northern Italy, so the model does seem to be transferable.
Three general lessons—for politicians as well as corporate strategists—follow from this. First, you do not need to try to build your own version of Silicon Valley to prosper; it is often better to focus on your traditional strengths in “old-fashioned” industries. Second, niches that appear tiny can produce huge global markets.
The third lesson is that Western companies can preserve high-quality jobs in a vast array of industries so long as they are willing to focus and innovate. Theodore Levitt, one of the doyens of Harvard Business School, once observed that “sustained success is largely a matter of focusing regularly on the right things and making a lot of uncelebrated little improvements every day.” That is a lesson that the Germans learned a long time ago—and that the rest of the rich world should take to heart.
MANAGEMENT gurus are constantly scouring the world for the next big idea. Thirty years ago they fixated on Japan. Today it is India. The more restless are already moving on to Peruvian or Zulu management. Yet in all this intellectual globe-trotting the gurus have sorely neglected the secrets of one of the world’s great economies. Germany is the world’s largest goods exporter after China despite high labour costs and a strongish euro. It is also stuffed full of durable companies that have survived hyperinflation and two world wars. Faber-Castell, a giant among pencilmakers, boasts that Bismarck was a customer.
Thankfully, a couple of management thinkers have defied the boycott on Germany. On November 18th Bernd Venohr, of the Berlin School of Economics and Law, gave a fascinating talk on the “secret recipe” of the country’s Mittelstand at the second annual Peter Drucker Forum in Vienna. Last year Hermann Simon, of Simon-Kucher & Partners, a consultancy, published an even more gripping sequel to his 1996 book on “Hidden Champions”. Put the two together and you get a good idea of the management theory at the heart of Germany’s success.
Although the term Mittelstand is sometimes applied to quite small, parochial firms, the most interesting ones are rather bigger and more outward-looking. Most shun the limelight: 90% of them operate in the business-to-business market and 70% are based in the countryside. They are run by anonymous company men, not hip youngsters in T-shirts and flip-flops.
They focus on market niches, typically in staid-sounding areas such as mechanical engineering rather than sexy ones like software. Dorma makes doors and all things door-related. Tente specialises in castors for hospital beds. Rational makes ovens for professional kitchens. This strategy helps them avoid head-to-head competition with global giants (“Don’t dance where the elephants play” is a favourite Mittelstand slogan). It has also helped them excel at what they do.
Globalisation has been a godsend to these companies: they have spent the past 30 years of liberalisation working quietly but relentlessly to turn their domination of German market niches into domination of global ones. They have gobbled up opportunities in eastern Europe and Russia. They have provided China’s “factory to the world” with its machine-tools.
The Mittelstand dominates the global market in an astonishing range of areas: printing presses (Koenig & Bauer), licence plates (Utsch), snuff (Pöschl), shaving brushes (Mühle), flycatchers (Aeroxon), industrial chains (RUD) and high-pressure cleaners (Kärcher). Kärcher’s dominance of the high-pressure market is so complete that in 2005 Nicolas Sarkozy caused a scandal, after a spate of riots, by calling for a crime-ridden banlieue to be cleaned out “au Kärcher”.
How durable is the Mittelstand model? Sceptics worry that it will eventually become the victim of globalisation: emerging-world companies will learn to produce their own clever machines at a fraction of the cost. They also worry that Mittelstand companies are too conservative. American start-ups can become global giants in a generation (Wal-Mart, now the world’s biggest retailer, was not even listed on the stock exchange until 1972). German companies are content to remain relatively small.
The first criticism is overstated. Mittelständler have not only focused on sophisticated niches that are hard to enter. They have thrown their energies into building up ever more powerful defences. They constantly innovate to stay ahead of potential rivals. They are relentless about customer service. Their salespeople are passionate about their products, however prosaic, and dogged in their determination to open up new markets. Mr Simon’s “hidden champions”, mostly German Mittelstand firms, typically have subsidiaries in 24 foreign countries, offering service and advice. Many get the bulk of their revenues from service rather than products. Hako, which makes cleaning equipment, generates only 20% of its revenue from sales of its machines.
The second criticism has more substance. Germany has a poor record at generating start-ups or at quickly turning smallish firms into giants. Mittelstand firms are finding it increasingly difficult to persuade the world’s best and brightest to make their careers in rural backwaters. But for all that, the record of the Mittelstand over the past three decades has been a history of global conquest rather than missed opportunities. Koenig & Bauer, for example, gets 95% of its revenue from outside Germany.
German lessons
So the Mittelstand is likely to keep powering Germany’s export machine for years to come. But does it have any lessons for the rest of the world? Mr Simon says that although 80% of the world’s medium-sized market leaders are based in Germany and Scandinavia, successful Mittelstand-style companies can be found everywhere from the United States (particularly the Midwest) to northern Italy, so the model does seem to be transferable.
Three general lessons—for politicians as well as corporate strategists—follow from this. First, you do not need to try to build your own version of Silicon Valley to prosper; it is often better to focus on your traditional strengths in “old-fashioned” industries. Second, niches that appear tiny can produce huge global markets.
The third lesson is that Western companies can preserve high-quality jobs in a vast array of industries so long as they are willing to focus and innovate. Theodore Levitt, one of the doyens of Harvard Business School, once observed that “sustained success is largely a matter of focusing regularly on the right things and making a lot of uncelebrated little improvements every day.” That is a lesson that the Germans learned a long time ago—and that the rest of the rich world should take to heart.
Small, imperfectly formed
A new study examines whether minority-owned small businesses are more likely to fail
One has to look a long time for an American politician of any political stripe who has failed to laud small businesses. Still, many have little clue as to what makes such businesses succeed or fail.
Federal agencies aimed at helping small business, such as the Small Business Administration and the Minority Business Development Agency, have been around for half a century, yet persistent differences remain between the performance of businesses founded by white, male entrepreneurs and the rest. Blacks are less likely to be self-employed, for example, and when they are their businesses, on average, have lower sales and profits than do their white- or Asian-owned counterparts. If researchers could explain the causes of these differences, policy-makers could (at least in theory) supply small businesses with more useful help.
Two researchers for the Census Bureau’s Centre for Economic Studies, Ron Jarmin and C.J. Krizan, recently published a working paper (PDF) attempting to understand demographic differences behind small businesses’ success and failure. They concentrated on the years 2002 to 2005, with three databases at their disposal: the Survey of Business Owners, conducted every five years; the Longitudinal Foreign Trade Transaction Database, which includes every US export transaction between 1992 and 2005; and a database co-developed by Mr Jarmin, which allowed the authors to track whether the owners of the firms in their sample had prior experience being their own bosses. By drawing from on the power of the Census’s data collection efforts, the authors hoped to create a more nuanced picture of business survival.
Some of their findings were not terribly surprising. A firm’s chances of survival, regardless of the race or sex of its owner, decreased in poorer areas; and the better the education of the founder, the more likely it was to succeed. Businesses owned by Asians, Hispanics, or Pacific Islanders were more likely to be exporters (not a small point, actually, as exporting firms in the sample performed better than average). Older entrepreneurs were more likely to use personal savings to start their businesses; younger owners were more likely to have to close up shop during the study period than were their middle-aged rivals.
However, the data also confirmed that black- and female-owned businesses tended to perform worse than the average. (They were also less likely to have been funded by bank loans, which might raise questions about the ineffectiveness, or lack of reach, of government programmes designed to help minority entrepreneurs obtain such loans.) Still, the businesses that survived, regardless of the owner’s race, tended to add employees at similar rates. Furthermore, after controlling for factors such as the education and race of the owner, there was no statistically significant difference in firms’ abilities to expand into different locations. Finally, black entrepreneurs were more likely to have a history of self-employment than their white counterparts. Messrs Jarmin and Krizan’s paper is not the first to suggest that black entrepreneurs, less likely to have other business owners in their family or personal networks, tend to “start small” when they venture out on their own.
Most researchers get to end their papers by speculating, usually without much fear of consequence, as to the policy implications of their work. The authors of this paper, not wishing to imply that the Census Bureau might have policy opinions, declined to do so. But the reader can make some guesses. One is that mentorship programmes may be particularly useful for promoting entrepreneurship among blacks. Another is that reaching out to businesses based on the owner’s race might be less useful than supporting businesses in poorer areas. And small businesses of all stripes would be helped by improving that other institution lauded by politicians: America’s education system.
One has to look a long time for an American politician of any political stripe who has failed to laud small businesses. Still, many have little clue as to what makes such businesses succeed or fail.
Federal agencies aimed at helping small business, such as the Small Business Administration and the Minority Business Development Agency, have been around for half a century, yet persistent differences remain between the performance of businesses founded by white, male entrepreneurs and the rest. Blacks are less likely to be self-employed, for example, and when they are their businesses, on average, have lower sales and profits than do their white- or Asian-owned counterparts. If researchers could explain the causes of these differences, policy-makers could (at least in theory) supply small businesses with more useful help.
Two researchers for the Census Bureau’s Centre for Economic Studies, Ron Jarmin and C.J. Krizan, recently published a working paper (PDF) attempting to understand demographic differences behind small businesses’ success and failure. They concentrated on the years 2002 to 2005, with three databases at their disposal: the Survey of Business Owners, conducted every five years; the Longitudinal Foreign Trade Transaction Database, which includes every US export transaction between 1992 and 2005; and a database co-developed by Mr Jarmin, which allowed the authors to track whether the owners of the firms in their sample had prior experience being their own bosses. By drawing from on the power of the Census’s data collection efforts, the authors hoped to create a more nuanced picture of business survival.
Some of their findings were not terribly surprising. A firm’s chances of survival, regardless of the race or sex of its owner, decreased in poorer areas; and the better the education of the founder, the more likely it was to succeed. Businesses owned by Asians, Hispanics, or Pacific Islanders were more likely to be exporters (not a small point, actually, as exporting firms in the sample performed better than average). Older entrepreneurs were more likely to use personal savings to start their businesses; younger owners were more likely to have to close up shop during the study period than were their middle-aged rivals.
However, the data also confirmed that black- and female-owned businesses tended to perform worse than the average. (They were also less likely to have been funded by bank loans, which might raise questions about the ineffectiveness, or lack of reach, of government programmes designed to help minority entrepreneurs obtain such loans.) Still, the businesses that survived, regardless of the owner’s race, tended to add employees at similar rates. Furthermore, after controlling for factors such as the education and race of the owner, there was no statistically significant difference in firms’ abilities to expand into different locations. Finally, black entrepreneurs were more likely to have a history of self-employment than their white counterparts. Messrs Jarmin and Krizan’s paper is not the first to suggest that black entrepreneurs, less likely to have other business owners in their family or personal networks, tend to “start small” when they venture out on their own.
Most researchers get to end their papers by speculating, usually without much fear of consequence, as to the policy implications of their work. The authors of this paper, not wishing to imply that the Census Bureau might have policy opinions, declined to do so. But the reader can make some guesses. One is that mentorship programmes may be particularly useful for promoting entrepreneurship among blacks. Another is that reaching out to businesses based on the owner’s race might be less useful than supporting businesses in poorer areas. And small businesses of all stripes would be helped by improving that other institution lauded by politicians: America’s education system.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Megavazamento de documentos deixa exposta a diplomacia dos EUA
Um gigantesco vazamento de documentos sigilosos americanos, que começaram a ser divulgados ontem, expôs práticas condenáveis de Washington, revelou segredos sobre aliados e deve prejudicar a relação dos EUA com vários países. O governo americano criticou o vazamento e diz que ele coloca em risco a vida de muitas pessoas.
Os documentos mostram, por exemplo, que o governo dos EUA ordenou que dirigentes da ONU fossem espionados. E confirmam que países árabes pressionam para que os EUA ataquem o Irã e destruam o seu programa nuclear.
O vazamento de cerca de 250 mil documentos sigilosos, em geral comunicações entre o Departamento de Estado e as embaixadas americanas pelo mundo, é inédito e possivelmente constitui o maior fiasco da história da diplomacia americana. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse tratar-se de um 11 de setembro diplomático, comparando o impacto do vazamento aos atentados terroristas de 2001.
Os documentos foram copiados por um militar americano, que os repassou à ONG Wikileaks, com sede na Suécia, que se dedica a divulgar documentos confidenciais. A ONG os repassou, para que fossem analisados, aos jornais "The New York Times" (EUA), "The Guardian" (Reino Unido), "Le Monde" (França) e "El País" (Espanha), e à revista alemã "Der Spiegel". Só esses veículos tiveram acesso ao conjunto dos documentos. E começaram a divulgá-los ontem.
No material revelado até agora, há poucas menções à América Latina. O caso mais curioso é a missão, atribuída à embaixada americana em Assunção, de reunir dados físicos sobre os candidatos nas últimas eleições presidenciais no país, em 2008. O despacho pede informações sobre quatro candidatos, incluindo o atual presidente Fernando Lugo. São solicitados dados biométricos, impressões digitais, scanner da íris e até amostra de DNA. Não se sabe se os dados foram obtidos e enviados.
Esse caso ilustra como o serviço diplomático americano costuma ser solicitado por Washington a extrapolar suas funções e atuar no limite da espionagem. O Departamento de Estado reagiu a essas revelações e afirmou: "Nossos diplomatas são só isso, diplomatas."
As principais citações ao Brasil, nos documento divulgados, dizem respeito à preocupação com possível atividade de terroristas islâmicos na região da Tríplice Fronteira, com Argentina e Paraguai. Segundo o Wikileaks, há cerca de 3 mil despachos originados do Brasil, sendo 1.947 de Brasília e 786 de São Paulo. O país também é citado pela relação com o venezuelano Hugo Chávez. Num despacho da França, um assessor do presidente Nicolas Sarkozy chama Chávez de louco e diz que nem o Brasil consegue mais apoiá-lo.
O "El País" promete divulgar hoje detalhes sobre as suspeitas que a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, desperta em Washington, "ao ponto de a secretária de Estado [Hillary Clinton] chegar a pedir informações sobre o estado de saúde mental" de Cristina.
Os despachos vazados, classificados como confidenciais e secretos (ainda não saiu nada "top secret") pelo governo americano, dizem respeito principalmente aos governos Bush e Obama. Mas há documentos anteriores.
O jornal espanhol diz que há menção a casos de corrupção em escala planetária, que poderiam envolver líderes estrangeiros.
Além disso, há avaliações de líderes estrangeiros que devem causar constrangimento aos EUA. A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, é descrita num despacho da embaixada americana em Berlim como sendo avessa ao risco e "raramente criativa". Já o premiê italiano, Silvio Berlusconi, é tratado como um testa-de-ferro do premiê russo, Vladimir Putin, e há menção a suas "festas selvagens". Berlusconi está acuado na Itália por vários escândalos envolvendo festas com garotas de programa.
Uma das práticas mais embaraçosas reveladas pelos documentos indicam a determinação de Hillary Clinton para que altos funcionários da ONU, inclusive o secretário-geral Ban Ki-moon, fossem espionados por diplomatas americanas nas Nações Unidas. Pede-se que sejam levantados dados pessoais desses funcionários, como número de plano de milhagem de companhias aéreas, modelo de aparelhos celulares e operadoras de telefonia que eles usam (o que sugere a possibilidade de grampo).
Outra revelação embaraçosa diz respeito à pressão de líderes árabes para que os EUA ataquem o Irã e destruam o programa nuclear iraniano, considerado pelos árabes como ameaça à segurança regional. Despachos citam a insistência do rei Adbullah, da Arábia Saudita, em "cortar a cabeça da serpente". Nenhum governo árabe admite isso em público, até porque isso significaria se alinhar com Israel.
Mas documentos revelam ainda a hesitação americana. O secretário de Defesa, Robert Gates, é citado ao dizer que um ataque ao Irã apenas atrasaria de um a três anos o programa nuclear iraniano.
Já a embaixada americana em Pequim relata ter obtido de um informante a confirmação de que a direção do Partido Comunista ordenou um ataque a computadores nos EUA, inclusive de órgãos do governo. O governo chinês nega.
Mais nos sites dos veículos citados e no site www.wikileaks.org
Valor Economico 29/11
Os documentos mostram, por exemplo, que o governo dos EUA ordenou que dirigentes da ONU fossem espionados. E confirmam que países árabes pressionam para que os EUA ataquem o Irã e destruam o seu programa nuclear.
O vazamento de cerca de 250 mil documentos sigilosos, em geral comunicações entre o Departamento de Estado e as embaixadas americanas pelo mundo, é inédito e possivelmente constitui o maior fiasco da história da diplomacia americana. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse tratar-se de um 11 de setembro diplomático, comparando o impacto do vazamento aos atentados terroristas de 2001.
Os documentos foram copiados por um militar americano, que os repassou à ONG Wikileaks, com sede na Suécia, que se dedica a divulgar documentos confidenciais. A ONG os repassou, para que fossem analisados, aos jornais "The New York Times" (EUA), "The Guardian" (Reino Unido), "Le Monde" (França) e "El País" (Espanha), e à revista alemã "Der Spiegel". Só esses veículos tiveram acesso ao conjunto dos documentos. E começaram a divulgá-los ontem.
No material revelado até agora, há poucas menções à América Latina. O caso mais curioso é a missão, atribuída à embaixada americana em Assunção, de reunir dados físicos sobre os candidatos nas últimas eleições presidenciais no país, em 2008. O despacho pede informações sobre quatro candidatos, incluindo o atual presidente Fernando Lugo. São solicitados dados biométricos, impressões digitais, scanner da íris e até amostra de DNA. Não se sabe se os dados foram obtidos e enviados.
Esse caso ilustra como o serviço diplomático americano costuma ser solicitado por Washington a extrapolar suas funções e atuar no limite da espionagem. O Departamento de Estado reagiu a essas revelações e afirmou: "Nossos diplomatas são só isso, diplomatas."
As principais citações ao Brasil, nos documento divulgados, dizem respeito à preocupação com possível atividade de terroristas islâmicos na região da Tríplice Fronteira, com Argentina e Paraguai. Segundo o Wikileaks, há cerca de 3 mil despachos originados do Brasil, sendo 1.947 de Brasília e 786 de São Paulo. O país também é citado pela relação com o venezuelano Hugo Chávez. Num despacho da França, um assessor do presidente Nicolas Sarkozy chama Chávez de louco e diz que nem o Brasil consegue mais apoiá-lo.
O "El País" promete divulgar hoje detalhes sobre as suspeitas que a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, desperta em Washington, "ao ponto de a secretária de Estado [Hillary Clinton] chegar a pedir informações sobre o estado de saúde mental" de Cristina.
Os despachos vazados, classificados como confidenciais e secretos (ainda não saiu nada "top secret") pelo governo americano, dizem respeito principalmente aos governos Bush e Obama. Mas há documentos anteriores.
O jornal espanhol diz que há menção a casos de corrupção em escala planetária, que poderiam envolver líderes estrangeiros.
Além disso, há avaliações de líderes estrangeiros que devem causar constrangimento aos EUA. A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, é descrita num despacho da embaixada americana em Berlim como sendo avessa ao risco e "raramente criativa". Já o premiê italiano, Silvio Berlusconi, é tratado como um testa-de-ferro do premiê russo, Vladimir Putin, e há menção a suas "festas selvagens". Berlusconi está acuado na Itália por vários escândalos envolvendo festas com garotas de programa.
Uma das práticas mais embaraçosas reveladas pelos documentos indicam a determinação de Hillary Clinton para que altos funcionários da ONU, inclusive o secretário-geral Ban Ki-moon, fossem espionados por diplomatas americanas nas Nações Unidas. Pede-se que sejam levantados dados pessoais desses funcionários, como número de plano de milhagem de companhias aéreas, modelo de aparelhos celulares e operadoras de telefonia que eles usam (o que sugere a possibilidade de grampo).
Outra revelação embaraçosa diz respeito à pressão de líderes árabes para que os EUA ataquem o Irã e destruam o programa nuclear iraniano, considerado pelos árabes como ameaça à segurança regional. Despachos citam a insistência do rei Adbullah, da Arábia Saudita, em "cortar a cabeça da serpente". Nenhum governo árabe admite isso em público, até porque isso significaria se alinhar com Israel.
Mas documentos revelam ainda a hesitação americana. O secretário de Defesa, Robert Gates, é citado ao dizer que um ataque ao Irã apenas atrasaria de um a três anos o programa nuclear iraniano.
Já a embaixada americana em Pequim relata ter obtido de um informante a confirmação de que a direção do Partido Comunista ordenou um ataque a computadores nos EUA, inclusive de órgãos do governo. O governo chinês nega.
Mais nos sites dos veículos citados e no site www.wikileaks.org
Valor Economico 29/11
sábado, 27 de novembro de 2010
Negócios no Brasil por estrangeiros
Gringos que fazem
Apesar das barreiras e da crise mundial, os estrangeiros estão voltando a abrir negócios no Brasil. O que eles vêm fazer num país hostil ao empreendedor?
ELISEU BARREIRA JUNIOR
VISÃO O empresário americano Chris Packard em frente a um de seus restaurantes, em Florianópolis. Ele reclama dos impostos, mas é otimista com a expansão
Se abrir um negócio é um exercício de masoquismo para os brasileiros, há um grupo ainda mais sofredor que os demais: os imigrantes que atravessam o mundo para vir ao Brasil tentar criar negócios. Além da burocracia e dos impostos, eles têm de lidar com as barreiras do idioma e da diferença de costumes. Só recentemente começou-se a quantificar os masoquistas de fora. De janeiro de 2006 a junho deste ano, o Ministério do Trabalho concedeu mais de 5 mil vistos permanentes a “investidores pessoa física”, termo governamental para os estrangeiros que trazem dinheiro para abrir empresas por aqui.
O número desses vistos cresceu 31% entre 2006 e 2008, para mais de 1.300 por ano. Caiu no auge da crise financeira global, mas voltou a subir agora. No primeiro semestre de 2010, os 431 imigrantes que conseguiram esse tipo de visto trouxeram um volume de investimento dois terços maior que o registrado no primeiro semestre do ano passado.
Para obter o direito de se estabelecer no país, o estrangeiro precisa comprovar investimentos, em moeda estrangei-ra, em valor igual ou superior a R$ 150 mil (até fevereiro de 2009, bastavam US$ 50 mil). A proposta de negócio preci-sa passar pelo Conselho Nacional de Imigração, que avalia o “interesse social” da nova empresa, caracterizado pela geração de emprego e renda no Brasil (dependendo do caso, pode-se aceitar investimento inferior a R$ 150 mil). Se-gundo o Ministério do Trabalho, investimentos de estrangeiros pessoa física abrem 2 mil postos de trabalho por ano para brasileiros.
O que buscam aqui essas pessoas? Parte delas relata motivações previsíveis, como a vontade de viver num lugar ensolarado, perto da praia. O francês Christian Noviot, de 44 anos, é desse time. Depois de trabalhar como designer gráfico em Paris, Barcelona, Cidade do México e São Paulo, decidiu ficar no Brasil. Vendeu boa parte dos bens que possuía e investiu cerca de R$ 500 mil na construção da Pousada Patacho, em Alagoas, inaugurada em 2007. Hoje, Noviot emprega sete pessoas. “Os primeiros anos são muito difíceis. Tem de passar pela baixa temporada, contar com a propaganda boca a boca”, diz. “Mas era um sonho, eu queria ter outro estilo de vida.”
Apesar de a maior parte do investimento desses imigrantes ir para empreitadas à beira-mar, em Estados como Ceará e Rio Grande do Norte, não fica só nisso. O americano Chris Packard, de 34 anos, trabalhava no banco de investimentos Merrill Lynch. Em fevereiro de 2008, decidiu largar o emprego de sete anos e abrir um negócio. Apesar da facilidade que teria nos Estados Unidos, achou que haveria maiores chances de sucesso no Brasil. Dez meses depois, inaugurava em Florianópolis um restaurante de comida japonesa. Logo investiu em uma rede de fast-food, o Cactus Mexican Food. Em cinco anos, ele pretende ter 50 restaurantes franqueados. O primeiro foi inaugurado em 2009 no Shopping Iguatemi, em São Paulo – 13 brasileiros trabalham ali.
Packard reclama da burocracia e dos impostos, mas não se arrepende de ter vindo para o Brasil. “Nos Estados Uni-dos, há muita concorrência, dezenas de restaurantes de comida mexicana poderosos, ao contrário do que acontece aqui.” Um de seus sócios, o americano David Allred, de 33 anos, já trabalhava com projetos imobiliários em Florianópolis. Veio ao Brasil em 2008 sondar o mercado. Estudou português durante seis meses, avaliou as perspectivas – e ficou de vez. “Não pretendo voltar. Como há um enorme potencial de crescimento da economia brasi-leira, posso crescer com ela.”
O alemão Thomas Rau, de 48 anos, pensava em viver no Brasil não por causa da economia, mas por ter se ca-sado com uma brasileira, a paulista Heike. Na Alemanha, ele tinha uma frota de veículos para transporte de executi-vos. No Brasil, enxergou espaço para outro tipo de negócio: uma cervejaria artesanal. O casal fez as malas e, em 2008, Rau abriu sua cervejaria em Cunha, São Paulo. “Aqui há muita cerveja industrializada, sem gosto, com ingredi-entes ruins”, afirma. “Não quero produzir grande quantidade, mas quero fazer a melhor cerveja do país.”
Imigrantes que abrem negócios
Iniciar uma pequena empresa no Brasil é um grande desafio. Apesar disso, há estrangeiros dispostos a arriscar
Estrangeiros casados com brasileiros enfrentam menos dificuldades para obter o visto permanente. É o caso do bri-tânico Ian Bannister, de 49 anos. Ele chegou a trabalhar na diplomacia britânica no Brasil nos anos 80 e casou-se com uma brasileira. Em 1998, o casal decidiu se instalar no Brasil. Trabalhou em um banco em Curitiba e, em 2007, abriu a consultoria de risco Critical Corporate Issues (CCI). A empresa, em São Paulo, presta serviços como orientar investi-dores estrangeiros que desejam colocar dinheiro no Brasil. “Esse setor é muito promissor, já que o país está crescen-do e desperta interesse”, diz Bannister.
Vários fatores podem explicar a renovada atenção dos estrangeiros, como a economia ter escapado rapidamente da crise mundial, a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016, a expansão do consumo, do crédito e da renda e a imaturidade de diversos setores, ainda com grande potencial de expansão. Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas, apresenta o último fator: “A vinda desses imigrantes reflete, em parte, a falta de empreendedorismo nacional”.
O número de imigrantes empreendedores poderia ser muito maior. Alfredo Behrens, professor de gestão intercultural na Fundação Instituto de Administração, da Universidade de São Paulo (USP), acha que o governo deveria facilitar a entrada desses estrangeiros. “Nossas fronteiras deveriam estar sempre abertas para o talento, a competência e a livre-iniciativa”, diz. Paulo Sérgio de Almeida, coordenador-geral de Imigração do Ministério do Trabalho, concorda com a im-portância dos imigrantes, mas não vê necessidade de facilitar mais essa entrada.
A experiência internacional mostra que facilitar a imigração de cérebros traz bons resultados. Nos Estados Unidos, havia pelo menos um imigrante entre os fundadores de 25% das empresas de tecnologia e engenharia abertas entre 1995 e 2005, de acordo com um levantamento da Universidade Duke e da Universidade da Califórnia. Essas companhias gera-ram cerca de 450 mil empregos em 2005. Márcio Nakane, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, destaca o ganho cultural que o Brasil pode ter. “A ação de empreender, ou seja, decidir ganhar dinheiro com um negócio próprio, é pouco comum em nossa sociedade”, diz. “Além disso, a maneira como esses estrangeiros administram pode nos ensinar muito.” Trata-se de deixar entrar ideias que ajudem a construir um Brasil dinâmico, que pensa e age global-mente.
Apesar das barreiras e da crise mundial, os estrangeiros estão voltando a abrir negócios no Brasil. O que eles vêm fazer num país hostil ao empreendedor?
ELISEU BARREIRA JUNIOR
VISÃO O empresário americano Chris Packard em frente a um de seus restaurantes, em Florianópolis. Ele reclama dos impostos, mas é otimista com a expansão
Se abrir um negócio é um exercício de masoquismo para os brasileiros, há um grupo ainda mais sofredor que os demais: os imigrantes que atravessam o mundo para vir ao Brasil tentar criar negócios. Além da burocracia e dos impostos, eles têm de lidar com as barreiras do idioma e da diferença de costumes. Só recentemente começou-se a quantificar os masoquistas de fora. De janeiro de 2006 a junho deste ano, o Ministério do Trabalho concedeu mais de 5 mil vistos permanentes a “investidores pessoa física”, termo governamental para os estrangeiros que trazem dinheiro para abrir empresas por aqui.
O número desses vistos cresceu 31% entre 2006 e 2008, para mais de 1.300 por ano. Caiu no auge da crise financeira global, mas voltou a subir agora. No primeiro semestre de 2010, os 431 imigrantes que conseguiram esse tipo de visto trouxeram um volume de investimento dois terços maior que o registrado no primeiro semestre do ano passado.
Para obter o direito de se estabelecer no país, o estrangeiro precisa comprovar investimentos, em moeda estrangei-ra, em valor igual ou superior a R$ 150 mil (até fevereiro de 2009, bastavam US$ 50 mil). A proposta de negócio preci-sa passar pelo Conselho Nacional de Imigração, que avalia o “interesse social” da nova empresa, caracterizado pela geração de emprego e renda no Brasil (dependendo do caso, pode-se aceitar investimento inferior a R$ 150 mil). Se-gundo o Ministério do Trabalho, investimentos de estrangeiros pessoa física abrem 2 mil postos de trabalho por ano para brasileiros.
O que buscam aqui essas pessoas? Parte delas relata motivações previsíveis, como a vontade de viver num lugar ensolarado, perto da praia. O francês Christian Noviot, de 44 anos, é desse time. Depois de trabalhar como designer gráfico em Paris, Barcelona, Cidade do México e São Paulo, decidiu ficar no Brasil. Vendeu boa parte dos bens que possuía e investiu cerca de R$ 500 mil na construção da Pousada Patacho, em Alagoas, inaugurada em 2007. Hoje, Noviot emprega sete pessoas. “Os primeiros anos são muito difíceis. Tem de passar pela baixa temporada, contar com a propaganda boca a boca”, diz. “Mas era um sonho, eu queria ter outro estilo de vida.”
Apesar de a maior parte do investimento desses imigrantes ir para empreitadas à beira-mar, em Estados como Ceará e Rio Grande do Norte, não fica só nisso. O americano Chris Packard, de 34 anos, trabalhava no banco de investimentos Merrill Lynch. Em fevereiro de 2008, decidiu largar o emprego de sete anos e abrir um negócio. Apesar da facilidade que teria nos Estados Unidos, achou que haveria maiores chances de sucesso no Brasil. Dez meses depois, inaugurava em Florianópolis um restaurante de comida japonesa. Logo investiu em uma rede de fast-food, o Cactus Mexican Food. Em cinco anos, ele pretende ter 50 restaurantes franqueados. O primeiro foi inaugurado em 2009 no Shopping Iguatemi, em São Paulo – 13 brasileiros trabalham ali.
Packard reclama da burocracia e dos impostos, mas não se arrepende de ter vindo para o Brasil. “Nos Estados Uni-dos, há muita concorrência, dezenas de restaurantes de comida mexicana poderosos, ao contrário do que acontece aqui.” Um de seus sócios, o americano David Allred, de 33 anos, já trabalhava com projetos imobiliários em Florianópolis. Veio ao Brasil em 2008 sondar o mercado. Estudou português durante seis meses, avaliou as perspectivas – e ficou de vez. “Não pretendo voltar. Como há um enorme potencial de crescimento da economia brasi-leira, posso crescer com ela.”
O alemão Thomas Rau, de 48 anos, pensava em viver no Brasil não por causa da economia, mas por ter se ca-sado com uma brasileira, a paulista Heike. Na Alemanha, ele tinha uma frota de veículos para transporte de executi-vos. No Brasil, enxergou espaço para outro tipo de negócio: uma cervejaria artesanal. O casal fez as malas e, em 2008, Rau abriu sua cervejaria em Cunha, São Paulo. “Aqui há muita cerveja industrializada, sem gosto, com ingredi-entes ruins”, afirma. “Não quero produzir grande quantidade, mas quero fazer a melhor cerveja do país.”
Imigrantes que abrem negócios
Iniciar uma pequena empresa no Brasil é um grande desafio. Apesar disso, há estrangeiros dispostos a arriscar
Estrangeiros casados com brasileiros enfrentam menos dificuldades para obter o visto permanente. É o caso do bri-tânico Ian Bannister, de 49 anos. Ele chegou a trabalhar na diplomacia britânica no Brasil nos anos 80 e casou-se com uma brasileira. Em 1998, o casal decidiu se instalar no Brasil. Trabalhou em um banco em Curitiba e, em 2007, abriu a consultoria de risco Critical Corporate Issues (CCI). A empresa, em São Paulo, presta serviços como orientar investi-dores estrangeiros que desejam colocar dinheiro no Brasil. “Esse setor é muito promissor, já que o país está crescen-do e desperta interesse”, diz Bannister.
Vários fatores podem explicar a renovada atenção dos estrangeiros, como a economia ter escapado rapidamente da crise mundial, a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016, a expansão do consumo, do crédito e da renda e a imaturidade de diversos setores, ainda com grande potencial de expansão. Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas, apresenta o último fator: “A vinda desses imigrantes reflete, em parte, a falta de empreendedorismo nacional”.
O número de imigrantes empreendedores poderia ser muito maior. Alfredo Behrens, professor de gestão intercultural na Fundação Instituto de Administração, da Universidade de São Paulo (USP), acha que o governo deveria facilitar a entrada desses estrangeiros. “Nossas fronteiras deveriam estar sempre abertas para o talento, a competência e a livre-iniciativa”, diz. Paulo Sérgio de Almeida, coordenador-geral de Imigração do Ministério do Trabalho, concorda com a im-portância dos imigrantes, mas não vê necessidade de facilitar mais essa entrada.
A experiência internacional mostra que facilitar a imigração de cérebros traz bons resultados. Nos Estados Unidos, havia pelo menos um imigrante entre os fundadores de 25% das empresas de tecnologia e engenharia abertas entre 1995 e 2005, de acordo com um levantamento da Universidade Duke e da Universidade da Califórnia. Essas companhias gera-ram cerca de 450 mil empregos em 2005. Márcio Nakane, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, destaca o ganho cultural que o Brasil pode ter. “A ação de empreender, ou seja, decidir ganhar dinheiro com um negócio próprio, é pouco comum em nossa sociedade”, diz. “Além disso, a maneira como esses estrangeiros administram pode nos ensinar muito.” Trata-se de deixar entrar ideias que ajudem a construir um Brasil dinâmico, que pensa e age global-mente.
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